Operação Terra Forte começa a liberar recursos para agricultores familiares pelotenses

Primeiros cartões do programa foram entregues a produtores rurais e devem impulsionar recuperação do solo. (Foto: Lylian Santos/JTR)

*Com informações da Assessoria de Imprensa

A Operação Terra Forte deu início à liberação de recursos para agricultores familiares de Pelotas. Em evento realizado na segunda-feira (8), os primeiros oito produtores receberam os cartões que garantem acesso a R$ 30 mil para investimentos nas propriedades rurais. A iniciativa, coordenada pela Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR) e executada pela Emater/RS-Ascar, beneficiará ao todo 100 famílias no município, com investimento de R$ 3 milhões.

O programa foi criado para auxiliar produtores que sofreram impactos dos eventos climáticos extremos dos últimos anos, especialmente na recuperação do solo. Além do recurso financeiro, os beneficiários contarão com acompanhamento técnico e capacitações ao longo da execução dos projetos.

Seleção envolveu mais de 400 inscritos
Segundo o engenheiro agrônomo e chefe do escritório municipal da Emater/RS-Ascar em Pelotas, Rodrigo Prestes, a procura pelo programa superou as expectativas. Mais de 400 agricultores se inscreveram para as 100 vagas disponibilizadas ao município. Após a etapa de inscrições, os candidatos passaram por um processo de seleção definido pelo Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural. Entre os critérios considerados estavam os danos causados por eventos climáticos e a necessidade de recuperação do solo.

De acordo com Prestes, cada agricultor contemplado recebeu a visita de técnicos da Emater para elaboração de um plano individual de aplicação dos recursos. “O objetivo principal é a recuperação do solo. O produtor recebeu a visita dos técnicos para elaborar um plano de utilização desses R$ 30 mil, contemplando aspectos econômicos, ambientais e sociais da propriedade”, explica.

Investimento busca aumentar produtividade e preservar recursos naturais
Foram contemplados produtores de diferentes cadeias produtivas, como horticultura, fruticultura, fumicultura, produção de grãos e pecuária familiar. O programa também inclui agricultores familiares, indígenas e quilombolas.

Prestes destaca que a recuperação do solo deverá gerar resultados diretos na produtividade das propriedades. Segundo ele, a expectativa é reduzir perdas causadas pela erosão, melhorar a fertilidade da terra e aumentar a capacidade produtiva das famílias rurais. “É um investimento que deve retornar para a sociedade muito mais do que o valor aplicado”, afirma. Outro dado relevante é a participação feminina no programa. Mais de 30% dos produtores contemplados são mulheres responsáveis pela gestão das propriedades.

Produtores apostam em melhorias estruturais
Entre os agricultores beneficiados está Pâmela Weber, que trabalha com a produção de hortaliças em uma propriedade familiar há mais de 20 anos. Ela relata que os períodos de chuvas intensas provocam erosão e prejuízos frequentes. “A gente sempre perde um pouco na questão do solo. A erosão acaba atingindo a produtividade e muito acaba estragando”, conta.

Com os recursos recebidos, a produtora pretende investir em melhorias que contribuam para a conservação do solo e o fortalecimento da atividade agrícola. “Nós queremos melhorar a cobertura e a fertilidade do solo. Isso vai ajudar tanto na produção quanto na questão ambiental e social da propriedade”, destaca.

Programa nasceu após impactos das enchentes
O gerente regional da Emater/RS-Ascar, Ronaldo Maciel, explica que a Operação Terra Forte começou a ser estruturada em 2025, tendo como base os prejuízos causados pelas enchentes registradas em 2024. Em todo o Rio Grande do Sul, o programa prevê beneficiar cerca de 15 mil famílias, com investimentos que podem chegar a R$ 450 milhões. “Esse programa levou em consideração as perdas que tivemos com a enchente de 2024”, diz.

Maciel ressalta que a melhoria das condições do solo traz benefícios que vão além da produção agrícola. Segundo ele, práticas como cobertura vegetal, irrigação e conservação do terreno ajudam a aumentar a retenção de água, reduzindo tanto os impactos das estiagens quanto o risco de erosão e assoreamento dos rios. “Dessa forma vamos aumentar a capacidade de armazenar água e evitar perdas de nutrientes. Com isso, também aumentamos a produtividade”, explica.

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