Tapetes de Corpus Christi reúne paróquias de Pelotas em celebração eucarística

Os tradicionais tapetes de serragem são montados ao longo da rua Padre Anchieta. (Foto: Clarissa Ribeiro/JTR)

Na quinta-feira (4), fiéis de Pelotas participaram do Corpus Christi, uma das datas mais importantes do calendário católico. A solenidade, que manifesta publicamente a presença de Jesus na Eucaristia, reuniu as 12 paróquias da cidade em uma única celebração, seguida da tradicional procissão entre os tapetes coloridos, produzidos pela comunidade jovem.

Conforme o pároco da Catedral Metropolitana São Francisco de Paula, Wilson Fernandes, a solenidade tem origem na instituição da Eucaristia durante a Quinta-feira Santa, ocorrendo sempre 60 dias após a Páscoa. “Esta fé é manifestada publicamente por meio da procissão que ocorre depois da celebração eucarística. O Corpus Christi está intimamente ligado com o mistério da instituição da Eucaristia pelo Senhor. Tomai todos e comei. Isto é meu corpo. Tomai todos e bebei. Isto é meu sangue que é dado por vós para a remissão dos pecados”, explica.

Segundo o sacerdote, a principal diferença da celebração em Pelotas é a união das comunidades paroquiais em uma única programação. “Na nossa cidade, o que diferencia em relação aos outros municípios da Diocese é que todas as 12 paróquias que estão aqui se juntam para uma única missa”, destaca.

Organização é fundamental para a solenidade
A preparação para a data mobiliza centenas de pessoas durante meses de organização. A escolha dos temas, a elaboração dos desenhos e a pintura da serragem começam três meses antes, envolvendo movimentos e grupos jovens das paróquias. “Desde o início do ano nós escolhemos os temas, os grupos de jovens se organizam para poder buscar e pintar a serragem. O resultado do tapete no dia de Corpus Christi é fruto de preparação de dois, três meses de serviço, em que as comunidades paroquiais se organizam para pintar o material e planejar os desenhos que são preparados”, relata Fernandes.

Segundo Anita Dutra, representante do Emaús Pelotas no Setor da Juventude, os tapetes começam a ser feitos depois da benção de envio que ocorre às 4h30. Após isso, os jovens precisam iniciar a preparação dos tapetes e concluir até às 15h – horário em que a missa inicia, seguida da procissão. Ela pontua que os jovens do movimento se envolvem inteiramente, inclusive com materiais e mão de obra. “No caso do Emaús, algumas coisas foram doações e outra parte foi custeada pelo próprio movimento. Tudo é feito pelos jovens, desde ir buscar a serragem na madeireira até a execução da pintura e confecção dos tapetes”, detalha.

A representante afirma que as quadras são divididas entre os jovens da arquidiocese, com os grupos de mesma paróquia juntos ou com localização própria. “Pelo Emaús estar em grande quantidade, temos uma quadra só sob nossa responsabilidade, geralmente as tarefas são divididas entre os grupos do próprio movimento, com um pouquinho de cada um, temos um resultado final lindo”, complementa.

Uma das participantes da montagem dos tapetes é Analice Garcia. Ela conta que o envolvimento com a tradição começou após participar do curso de Emaús, em 2022. “Eu participo da confecção desde 2023. Antes somente ia para ver os tapetes durante o dia com minha família. Comecei a participar depois de fazer o curso de Emaús e passar a fazer parte da comunidade”, conta.

De acordo com ela, a tradição pelotense utiliza principalmente serragem colorida na composição dos tapetes, no entanto, outros materiais foram utilizados em anos anteriores, a fim de ressaltar caridade e solidariedade. “Aqui em Pelotas, a tradição é fazer os tapetes com serragem colorida. Mas em alguns anos já aconteceu de fazerem tapetes com doações de agasalhos e alimentos não perecíveis”, diz.

Neste ano, os tapetes também refletiram temas ligados à caminhada pastoral da Igreja. Segundo o padre, foram abordadas temáticas como a implantação das diretrizes do Sínodo, a Pastoral da Saúde e a Campanha da Fraternidade de 2026, que contou com o slogan fraternidade e moradia.

Singularidade da data integra gerações
Para além do significado religioso, a data é símbolo de integração entre diferentes gerações e do fortalecimento do sentimento de pertencimento da comunidade. Conforme o pároco, a celebração permanece atual diante das transformações sociais e tecnológicas. “Nesse mundo de tantas mudanças e de tanta inteligência artificial, a celebração de Corpus Christi recorda a importância de que todos nós somos irmãos e irmãs uns dos outros. Como disse São Paulo, somos membros do corpo de Cristo e o corpo precisa de cuidado, de carinho e atenção”, afirma.

Após as horas de trabalho na montagem dos tapetes, a passagem da procissão representa um momento significativo para os jovens que se voluntariam no serviço. “É muito emocionante, pois é quando verdadeiramente recordamos a razão do nosso trabalho, empenho e dedicação. Tudo por amor à Jesus, que se faz verdadeiramente presente na Eucaristia”, relata Analice.

O sacerdote reforça que a solenidade ultrapassa os limites de um único conjunto religioso e simboliza a união da Igreja Católica na cidade. “A festa de Corpus Christi não é só a celebração da Catedral, mas de todas as paróquias aqui da cidade que se reúnem para celebrar esta unidade. Então, de maneira muito particular, a festa de Corpus Christi para o município é um momento de comunhão de todas as igrejas da área pastoral aqui da cidade. É momento de comunhão, unidade, celebração e oração”, finaliza.

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