Rio Grande do Sul ainda não possui estrutura para enfrentar novos eventos climáticos, diz Maranata

O ex-prefeito de Guaíba ainda destacou o potencial turístico da Costa Doce e da Serra dos Tapes (Foto: Clarissa Ribeiro/JTR)

A criação de uma secretaria especial, as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024 e o potencial turístico da região foram alguns dos temas abordados pelo ex-prefeito de Guaíba, Marcelo Maranata (PSDB), durante entrevista ao Jornal Tradição Regional, juntamente com o deputado federal Daniel Trzeciak (PSDB). Na ocasião, Maranata lançou sua pré-candidatura ao Governo do Estado e apresentou propostas voltadas ao desenvolvimento regional e infraestrutura.

Na entrevista, Maranata apresentou o projeto de uma secretaria especial para tratar dos assuntos da metade sul com maior dedicação. Além disso, entre outras prioridades defendidas pelo pré-candidato, estão a conclusão da duplicação da BR-116, o início das obras na BR-290 e a execução de projetos de contenção de cheias na Região Metropolitana.

Ao falar sobre as enchentes, o pré-candidato afirmou que o Rio Grande do Sul ainda não possui a estrutura necessária para enfrentar novos eventos climáticos extremos. Segundo ele, obras contra as cheias seguem sem execução, mesmo tendo recursos disponíveis.

“Existem projetos prontos, que precisam ser atualizados com a cota de 2024, mas que ainda precisam sair do papel”, diz. Conforme Maranata, R$ 6,6 bilhões já estariam disponíveis para obras de proteção.

O ex-prefeito relembrou o período em que Guaíba recebeu inúmeras pessoas durante a tragédia climática de 2024. De acordo com ele, cerca de 60 mil desabrigados ficaram no município, além de, em média, 20 mil pessoas vindas de outras cidades da Região Metropolitana.

Desenvolvimento econômico é prioridade

Outro assunto abordado foi o modelo de pedágios na Zona Sul. Maranata disse ser favorável à cobrança, mas criticou os contratos antigos, que, segundo ele, acabaram contribuindo para que a economia da região não se desenvolvesse de forma efetiva. “Eu defendo um modelo de pedágio diferente. Em Guaíba, depois que paramos de ter pedágio, recebemos muitos investimentos, mesmo assim eu sou a favor, porém de uma outra proposta”, declara.

Na entrevista, Trzeciak também ressaltou a importância de um novo modelo de pedágio. Segundo ele, o momento é de organização e intensificação de investimentos na região. “O problema é que nós ficamos 28 anos aqui na região Sul pagando muito caro. Se o pedágio aqui tivesse sido R$4,00, R$5,00, R$6,00, com ambulância, resgate, manutenção da rodovia, não teria problema algum. Agora o que eu defendo é que a gente tenha um tempo para respirar, para botar o pé no acelerador e fazer a região sul andar para frente, porque nós ficamos com o freio de mão puxado por muitos anos”, complementa.

Turismo da região é diferencial, mas ainda carece de novas perspectivas

O ex-prefeito ainda destacou o potencial turístico da Costa Doce e da Serra dos Tapes. Segundo ele, a região precisa fortalecer setores como gastronomia, cultura e hotelaria para aumentar o fluxo de visitantes. “Nós precisamos de um olhar empreendedor para fazer as regiões crescerem. Temos que ter um olhar crítico. Por que eu viria para Pelotas? Que turismo que eu vou vivenciar aqui? O que me incentiva a sair de São Paulo, pegar um avião, descer em Porto Alegre, mas depois pegar um carro e ir para a Zona Sul? Precisamos ter esse olhar provocativo”, afirma.

Para o pré-candidato, o fortalecimento do turismo é resultado da união entre diversos setores. “Precisamos enxergar todo o nosso potencial, as nossas belezas, aquilo que nos une por meio de uma rota, o que temos de alimentação, de gastronomia e juntar quem está querendo ganhar dinheiro. A rede hoteleira e os restaurantes são os empreendedores da atividade, e se relacionam com a cultura e a história – tudo isso é turismo” completa.