Febre das figurinhas movimenta colecionadores e comércio para Copa do Mundo

Lorenzo Bonone é colecionador dos álbuns da Copa do Mundo desde os seis anos. (Foto: Natália Pagano)

A febre do álbum de figurinhas da Copa do Mundo voltou a engajar crianças, jovens e adultos antes mesmo do início da competição. Em bancas, livrarias e feiras de troca, colecionadores se reúnem para completar páginas, negociar figurinhas repetidas e reviver memórias que atravessam gerações. Mesmo em plena era digital e diante dos altos custos para completar a coleção, o tradicional álbum segue despertando nostalgia, fortalecendo laços familiares e criando novos espaços de convivência.

Colecionador desde a Copa do Mundo de 2010, o jornalista Lorenzo Bonone conta que começou o hobby com seis anos, incentivado pelo pai. O seu primeiro álbum, da África do Sul, continua guardado até hoje. “Ele está com algumas páginas rasgadas da época de criança, criança não cuida muito bem de algumas coisas, mas hoje ele tá com uma capa de segurança, porque faz parte assim de uma relíquia pra mim”, relata.

Lorenzo Bonone, jornalista, coleciona albúns desde a infância. (Foto: Natália Pagano)

Desde então, o jornalista completou os álbuns de 2010, 2014 e 2018. O de 2022 também integra a coleção, embora tenha sido finalizado posteriormente com figurinhas avulsas. Para ele, o principal valor da coleção é sentimental. “Na época ainda não tínhamos celulares muito tecnológicos na família, muitas fotos se perderam e o álbum acaba sendo uma lembrança do que foi aquela Copa do Mundo. Colecionar os álbuns sempre foi uma coisa boa, inclusive na questão de interação, eu já devo ter convivido com mais de 200 pessoas na minha vida para trocar figurinha”, afirma.

Segundo o colecionador, folhear os álbuns antigos é uma forma de revisitar momentos pessoais e históricos do futebol. Além das seleções e jogadores, as páginas guardam recordações da infância, dos amigos da escola e das partidas assistidas em família.

Tradição também movimenta o comércio

Proprietário da Revistaria Lobo da Costa, Alexandro Goularte afirma que a procura pelos produtos aumentou significativamente desde o lançamento. Segundo ele, o público é variado. Inicialmente, os itens mais procurados foram os kits com álbum e pacotes de figurinhas. Agora, a expectativa está voltada para o álbum de capa dura, que deve chegar às lojas nos próximos dias.

Goularte acredita que o sucesso do álbum permanece justamente pela experiência física e social que ele proporciona. “A emoção está na tradição da troca, do jogo de bafo, na colagem, em ter o álbum impresso”, diz. Ele ainda completa dizendo que “os celulares nesse momento estão ficando de lado pela simples emoção de estar trocando figurinhas”.

Na Livraria Vanguarda, o movimento também cresceu consideravelmente. De acordo com o gerente de compras Laerto Werhli, o interesse vai além das figurinhas e envolve livros, almanaques e guias oficiais relacionados à Copa do Mundo.

A livraria promove trocas de figurinhas diariamente em todas as unidades (confira mais informações no Instagram @livraria_vanguarda). Segundo Werhli, os encontros acabam criando um ambiente de pertencimento e interação entre pessoas de diferentes idades. Além da socialização, ele destaca que a atividade ajuda no desenvolvimento de habilidades importantes, especialmente entre crianças e adolescentes, como negociação, paciência e convivência social.

Bonone conta que nunca precisou comprar muitas figurinhas avulsas porque conseguia completar o álbum participando desses encontros. Mesmo reconhecendo que o hobby se tornou mais caro ao longo dos anos, ele acredita que o álbum mantém um valor afetivo que ultrapassa os gastos financeiros.

A edição de 2026 também chega maior. Segundo Werhli, o novo álbum possui 980 figurinhas, enquanto o de 2022 tinha 670. O aumento acompanha a expansão da Copa do Mundo, que passará de 32 para 48 seleções participantes. Ainda assim, o interesse do público permanece alto. Para Lorenzo, isso acontece porque nenhuma experiência digital conseguiu substituir completamente o ritual físico de colecionar.

Cada pacote custa R$ 7 e contém sete figurinhas. Simulações indicam que o gasto médio para completar a coleção fica em torno de R$ 7 mil quando o colecionador compra apenas pacotes, devido ao grande número de figurinhas repetidas. Já em grupos de trocas, o custo pode diminuir para cerca de R$ 1,5 mil. Entre as estratégias de colecionador de Bonone está a abertura de caixinha virtual em bancos no ano anterior para os investimentos.