
A falta de separação correta do lixo reciclável do lixo orgânico ainda é a principal dificuldade enfrentada pelas cooperativas de Pelotas. Segundo dados do Departamento de Resíduos Sólidos, a cidade utiliza somente metade do seu potencial de reciclagem. A UniCoop, localizada no bairro Fragata, atua no endereço desde 2020, recebendo, em média, uma tonelada de lixo por dia, contribuindo para o desenvolvimento ambiental e econômico do município mesmo em meio a desafios diários.
De acordo com Margarida Araújo, chefe da Divisão de Coleta de Resíduos do Serviço Autônomo de Saneamento de Pelotas (Sanep), o convênio entre a cooperativa e o serviço de saneamento existe desde 2011. Ela destaca que a UniCoop está inserida em um conjunto de nove cooperativas de reciclagem vinculadas ao município por meio do Sanep. O local é incumbido de receber materiais recicláveis que deveriam ter sido separados pela população e descartados corretamente, sempre nos dias e horários da coleta seletiva ou nos Ecopontos Municipais.
Obstáculos da não conscientização
Conforme Suélen Badia, coordenadora da cooperativa desde 2011, a UniCoop funcionava em outro local, o qual foi destruído por uma tempestade – situação que levou a unidade a trocar de endereço em 2020. Segundo ela, as dificuldades observadas há 15 anos ainda permanecem na rotina da equipe: lidar com a falta de separação correta do material. “As pessoas não separam o lixo reciclável do lixo orgânico. Nós pedimos para pelo menos separar o lixo seco do que é molhado, isso já nos ajuda bastante”, explica.
Suélen ainda conta que, na pandemia do Covid-19, a dificuldade foi potencializada, devido ao medo de contaminação da sociedade: “As pessoas deixaram de separar ainda mais o lixo na pandemia, era muito difícil já que não podiam se contaminar. Depois que ela acabou, perdeu-se o hábito”.
A colaboradora Cláudia Oliveira, que trabalha há 15 anos na cooperativa, concorda que os problemas seguem os mesmos no município: “continua a mesma coisa, a população não tem consciência”. Segundo ela, entre os erros de descarte mais comuns encontram-se resíduos hospitalares, como seringas, material que pode ter um alto índice de contaminação e leva o colaborador que teve contato a se afastar para realizar exames e fazer uso de coquetéis de remédios.
Economia é impactada
Cada unidade é fundamental para beneficiar não só o meio ambiente, mas também a economia da cidade, segundo a chefe de Departamento do Sanep. “As unidades são essenciais para Pelotas alcançar 100% de cobertura na área urbana com a coleta seletiva. Além de preservar o meio ambiente, o vínculo com as cooperativas evita um custo de destino final dos resíduos, incluindo transbordo, transporte e aterro, de aproximadamente R$ 725 mil aos cofres públicos por ano”, salienta.
Ainda na perspectiva dela, a participação e conscientização da sociedade acerca de seu papel no meio ambiente é essencial para mitigar o problema. “Ampliar a participação da população é o maior dos desafios, atualmente. Queremos elevar o índice de resíduos direcionados às cooperativas para serem reciclados. Para isso, é fundamental a percepção de cada indivíduo sobre seu papel na rede de sustentabilidade”, ressalta.
Ademais, Margarida enfatiza que descartar lixos incorretamente prejudica e atrasa o trabalho da equipe, pois o “descarte indevido de materiais orgânicos na coleta seletiva contamina resíduos passíveis de reciclagem e prejudica o trabalho dos cooperados. A evolução nesse sentido só é possível mediante conscientização e percepção das responsabilidades individuais”.
Como colaborar
A colaboradora do Sanep afirma que o convênio entre o Serviço de Saneamento e a cooperativa prevê uma bolsa auxilio de R$ 800,00 a cada cooperado, além de oferecer oportunidades de participação em cursos de capacitação. No último ano, o município ampliou em 100% o valor limite das bolsas e custeio das despesas operacionais repassado mensalmente pelo Sanep às unidades, passando de R$ 15 mil para R$ 30 mil.
Ela ainda explica que a UniCoop tem um papel importante na vida e renda das pessoas envolvidas, pois os trabalhadores das cooperativas de reciclagem encontram nela o sustento das famílias.
Suélen reforça que a UniCoop aceita material reciclável de segunda a sábado, das 8h às 15h, na avenida Imperador Dom Pedro I, nº 1.776.



