Irã ataca petroleiro próximo a Dubai e eleva tensão no Estreito de Ormuz

Incêndio em navio com bandeira do Kuwait ocorre após novas ameaças de Donald Trump e amplia riscos para o abastecimento global de energia. (Foto: Kuwait Petroleum Corporation/Divulgação via REUTERS)

*Com informações da Assessoria de Imprensa

Teerã atacou e incendiou um petroleiro totalmente carregado ao largo de Dubai nesta terça-feira (31), em mais um episódio de escalada militar no Golfo Pérsico. A ação ocorreu apesar de novas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou que poderá atingir infraestrutura energética iraniana caso não haja avanço em um acordo de paz e reabertura do Estreito de Ormuz.

Autoridades de Dubai informaram que o incêndio na embarcação Al-Salmi, de bandeira do Kuwait, foi controlado após um ataque com drones. Não houve vazamento de óleo nem registro de feridos entre os tripulantes. A empresa Kuwait Petroleum Corp, dona do navio, disse que o casco sofreu danos.

O episódio é o mais recente de uma série de ataques contra navios mercantes na região desde o bombardeio ao Irã por forças dos Estados Unidos e de Israel, em 28 de fevereiro. O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo.

Dados de monitoramento marítimo indicam que o Al-Salmi seguia para Qingdao, na China, transportando cerca de 2 milhões de barris de petróleo — sendo 1,2 milhão de origem saudita e 800 mil do Kuwait.

Há indícios de que o petroleiro não era o alvo principal. A Guarda Revolucionária do Irã declarou que pretendia atingir um navio de contêineres ligado a Israel. Informações de navegação apontam que a embarcação mencionada, o Haiphong Express, estava ancorada nas proximidades.

O conflito, que já dura cerca de um mês, vem se ampliando pela região, com milhares de mortos, interrupções no fornecimento de energia e temores de impacto severo na economia global. Após o ataque, os preços do petróleo registraram alta momentânea.

Diante da escalada, o Paquistão tenta atuar como mediador. O chanceler Ishaq Dar deve discutir o conflito em visita à China, após conversas com representantes da Turquia, Egito e Arábia Saudita.

A China, principal compradora de petróleo iraniano e aliada de Teerã, voltou a pedir a interrupção das operações militares. Pequim informou ainda que três navios chineses foram recentemente autorizados a atravessar o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto da oferta global de petróleo e gás natural liquefeito.

O governo iraniano afirma ter recebido propostas de paz dos Estados Unidos por meio de intermediários, mas classificou as condições como “irrealistas, ilógicas e excessivas”.

Em resposta, Trump disse que Washington negocia com um “regime mais razoável”, em referência à substituição de líderes iranianos mortos no conflito. O presidente reiterou, porém, que poderá ordenar ataques contra usinas de energia, campos de petróleo e a ilha de Kharg — principal ponto de exportação iraniana — caso não haja acordo e o estreito permaneça fechado.

A falta de avanços nas negociações levou a União Europeia a alertar seus países-membros para o risco de uma interrupção prolongada no fornecimento de energia.