Mãe denuncia racismo contra filho em escola de Canguçu e registra caso na Polícia Civil

Até o fechamento desta edição, embora procurada, a escola não se manifestou sobre o caso (Foto: Andriele Gomes Domingues)

Nos últimos dias, a atendente de farmácia Andriele Gomes Domingues veio a público relatar, a partir de suas percepções, situações de preconceito e desrespeito que seu filho vem enfrentando em uma escola de Canguçu. Conforme informado, ela registrou na Polícia Civil denúncia de discriminação racial contra o estudante menor de idade.

A mãe relembra um episódio ocorrido em 2025, quando, após receber ofensas verbais, o aluno procurou o Serviço de Orientação Educacional (SOE) para pedir ajuda. “Ele chegou em casa, me comunicou (sobre o ocorrido). Quando eu fui até a escola para buscar o boletim escolar dele, eu questionei: ‘o que aconteceu aqui na escola com o meu filho?’. Ela olhou pra mim e falou assim: ‘brincadeira de criança, coisa de criança, de moleque. Mas aí eu fui ali na sala de aula, conversei com eles, dei uma brigada e tá tudo resolvido’. Só que eu achei que tinha parado, mas continuou”, contou.

Apesar da repreensão, segundo Andriele, os episódios continuaram. Inicialmente, ela acionou o Conselho Tutelar em busca de apoio e, posteriormente, procurou a Delegacia de Polícia para formalizar a denúncia.

A atendente também descreveu as mudanças no comportamento do filho. “Ele ficou ferido, bastante chateado . O comportamento dele tem oscilado entre querer voltar pra escola e não querer. Querer mudar de escola. Acho que ele ainda tá querendo assimilar tudo, igual eu precisei de um tempo pra assimilar. Bastante. Porque no início fiquei com muita raiva (…), depois veio uma tristeza enorme. E é um misto de sentimento que dói na gente; quando faz pro filho da gente, dói na gente o triplo”, lamentou.

Em suas redes sociais, a vereadora Maica Tainara (PT), que tem como uma de suas principais pautas o combate ao racismo, repudiou as atitudes de discriminação e preconceito. “Até quando vão tentar dizer que isso é exagero? Que não existe? Que não precisa falar sobre isso? Precisa, sim, e muito. O racismo é real, ele machuca, ele exclui e ele silencia. E a gente não vai ficar calado.” A parlamentar informou ainda que protocolou um pedido para a criação de uma frente parlamentar antirracista em Canguçu.

Desde 2023, o crime de injúria racial passou a ser equiparado ao de racismo. Isso significa a possibilidade de aplicação de penas mais severas àqueles responsabilizados por atos de discriminação em função de cor, raça ou etnia, além de tornar o crime imprescritível, podendo ser julgado a qualquer tempo.

Até o fechamento desta edição, embora procurada, a escola não se manifestou sobre o caso. Caso haja interesse da instituição em contribuir com a reportagem, o espaço permanece aberto.