
Os municípios vizinhos de Pelotas e Rio Grande receberão, juntos, R$ 90 mil do Ministério da Igualdade Racial (MIR). O valor é proveniente de um edital realizado em parceria entre o órgão e a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e será destinado ao reconhecimento e à valorização do legado afro-brasileiro nas cidades.
Publicada em 28 de fevereiro, a chamada pública contempla 50 municípios brasileiros e busca incentivar iniciativas culturais, educativas e turísticas relacionadas à história da população negra no país. Em Pelotas, a proposta selecionada foi o projeto “Rotas Negras – O Passo Negro na Batuqueira do Sul”, que recebeu R$ 50 mil. Já em Rio Grande, o projeto “Caminhos Negros: Redescobrindo Rio Grande” foi o escolhido para receber R$ 40 mil.
As propostas
Entre as duas cidades, há uma preocupação em comum: a preservação da memória. Em Pelotas, o projeto prevê a criação de um roteiro que destaque a presença da população negra em diferentes pontos do município. A iniciativa, das secretarias de Igualdade Racial e de Turismo, busca registrar a chegada, a presença e o legado da comunidade negra na cidade.
O secretário de Igualdade Racial de Pelotas, Júlio Domingues, destaca que, assim como Pelotas é uma das cidades com maior população negra do estado, “são fundamentais iniciativas que visem exaltar a presença e a contribuição dos afrodescendentes”. O projeto consiste na criação de uma rota que tem início com a chegada de pessoas escravizadas à cidade e que pretende trazer à tona personagens e fatos esquecidos pela narrativa histórica oficial.
Já em Rio Grande, o projeto busca mapear e demarcar espaços de importância histórica para a população negra no município. O Caminhos Negros nasce da parceria entre a Secretaria de Município de Cidadania e Assistência Social (SMCAS), o Instituto de Letras e Artes (ILA) da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) e representantes comunitários. Para o secretário-adjunto da SMCAS, Chendler Siqueira, trata-se de uma oportunidade de resgatar histórias que foram invisibilizadas.
“A ideia surgiu a partir da escuta, em diversos espaços, das denúncias feitas pelos nossos mais velhos sobre o apagamento desses locais”, explica. “O projeto tem esse nome porque esses caminhos contam histórias que, em sua maioria, foram esquecidas propositalmente — seja pela troca do nome desses locais, seja pela apresentação de outras narrativas que ajudam a embranquecer a cidade.”
Após uma pesquisa pública, a equipe do projeto identificou 26 locais. Segundo a organização, o recurso do MIR será utilizado para a confecção e instalação de 26 placas externas, produção de materiais educativos e também de um minidocumentário sobre a iniciativa, os territórios e suas narrativas. De acordo com Siqueira, todo o material será distribuído gratuitamente para instituições de ensino das redes municipal, estadual e federal de Rio Grande.
“Se é correto dizer que Rio Grande é uma cidade de descendência lusitana, hoje é ainda mais correto afirmar que somos uma cidade afro-indígena-lusitana”, conclui Siqueira.



