Após cinco décadas, Regata Rio de la Plata é retomada e reforça a economia marítima

Evento ocorre 50 anos após sua primeira edição. (Foto: JP/Produtora Surreal Audiovisual)

Após 50 anos de sua primeira edição, ocorreu na quarta-feira (11) a largada da Regata Internacional Rio de la Plata – Rio Grande. Com previsão de dois a três dias de navegação, os veleiros partiram de Montevidéu rumo a Noiva do Mar. No Brasil, o Rio Grande Yacht Club (RGYC) lidera a organização, enquanto clubes tradicionais do Uruguai e da Argentina dão apoio e suporte técnico à competição.

A programação em celebração à navegação contou com uma cerimônia de abertura na quinta-feira (12), dando início à agenda cultural e gastronômica na Vila Náutica. O encerramento oficial, por sua vez, ocorre no domingo (15), às 18h, com a solenidade de premiação dos vencedores da Regata.

De acordo com Luiz Carlos Fossati, comodoro do clube brasileiro, 20 barcos do Brasil, Uruguai e Argentina participam da retomada histórica da travessia, com previsão de chegada a partir desta sexta-feira (13). Segundo ele, tanto o RGYC quanto o Yacht Club Uruguaio (YCU) desejavam retomar o evento, não realizado há tantas décadas. O principal impulso para a retomada da atividade foi um convite feito pela Prefeitura de Rio Grande, juntamente com a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e o Arranjo Produtivo Local (APL) Marítimo da cidade, que propuseram a realização de um amplo evento náutico.

Navegação como identidade
Segundo Vítor Magalhães, Secretário de Desenvolvimento, Inovação, Turismo e Economia do Mar do município, a Regata foi estimulada por outras festividades, com a finalidade de explorar os pontos fortes de Rio Grande. “Foi uma provocação que nasceu no Fórum de Desenvolvimento da Economia Azul, que é o maior evento do setor no Brasil e foi realizado aqui ano passado. A ideia dessa navegação é transformarmos o potencial de Rio Grande em resultado efetivo e prático”, conta.

Para o chefe da pasta, a competição, somada a outras ações realizadas, como o Festival do Mar (Festimar), representa uma oportunidade de conectar a população com a identidade da cidade e, dessa forma, movimentar a economia marítima. “A navegação não só integrou o calendário turístico e esportivo de Rio Grande, como foi um dos eventos âncoras para fomentar a questão da cultura náutica. Economia do mar é isso. As pessoas olharem para a água com orgulho”, pontua.

A prefeita Darlene Pereira (PT) enfatiza o papel da Regata para o desenvolvimento sustentável da localidade: “Ela tem uma importância enorme, especialmente porque coloca nosso município novamente na rota do turismo náutico que, além de lindo no visual, vem crescendo em todo o mundo, unindo esporte e cultura. Nós buscamos isso: formas de desenvolvimento que tragam retorno financeiro, mas também sejam social e ambientalmente sustentáveis.”

Desafios e expectativas marcam o evento
Conforme Fossati, entre os desafios logísticos para organizar uma travessia internacional dessa magnitude, destacam-se as estruturas de recepção dos barcos, as quais foram afetadas pelas enchentes que atingiram a cidade. “A principal dificuldade se dá no local para receber os barcos. Hoje, devido ao assoreamento ocorrido com as enchentes, fica difícil recepcioná-los, nós precisamos criar uma área no porto novo. Este é um problema que se não for resolvido pode inviabilizar outras edições”, ressalta.

Além disso, outro possível obstáculo está relacionado às medidas de prevenção e segurança dos navegadores que, este ano, tiveram apoio para que tudo ocorra dentro do planejado. “Há uma dificuldade que envolve a segurança das embarcações. Para isto, contamos com as Marinhas do Brasil e do Uruguai, as empresas Livedot Tracking e Spot de Aluguel, que permitiram acompanhar a posição dos barcos e o trajeto durante toda a Regata pela internet por meio de um site, bem como o monitoramento e previsão do tempo pela empresa Catavento”, diz o comodoro.

Ademais, segundo Henrique Ilha, comandante do Veleiro Sterna do RGYC, é preciso um cuidado minucioso com cada detalhe da embarcação para conseguir cumprir os requisitos de segurança e, assim, vencer desafios, como a distância entre portos seguros para entrar em caso de necessidade, principalmente entre o Porto de La Paloma e Rio Grande.

De acordo com Fossati, a expectativa é tornar o evento regular no município, com periodicidade bianual ou a cada quatro anos. No entanto, a consolidação da competição dependerá do desassoreamento do local de recepção dos barcos.

Magalhães reforça o interesse por parte do poder público em firmar a prova marítima em Rio Grande. “A ideia é, com esse acontecimento, centralizarmos a competição, eu imagino o potencial que ela pode ter nos próximos anos. É isso que a gente quer”, confirma.