Volta às aulas; Por que lojas estão fechando; e Agenda

Jornalista Maria da Graça Marques, colunista de Economia do JTR. (Foto: Adilson Cruz/JTR)

Volta às aulas estimula pesquisa de preços

Junto às escolas começa o movimento dos alunos para as primeiras aulas do ano letivo de 2026, o que fez crescer nos últimos dias a procura pelo material escolar, movimentando papelarias, lojas especializadas e também as alternativas que procuram se abastecer com produtos dessa linha no período.

Nas escolas particulares, a maioria dos alunos já iniciou o novo calenário escolar. Nas públicas estaduais, o retorno para muitos ocorreu na quarta-feira (18) e nas municipais, ele deverá ocorrer na segunda-feira (23).

Muitas vezes acompanhados pelos filhos, os pais costumam conferir os preços, procurando adequar o orçamento da família ao gosto dos estudantes. Essa é uma realidade que os vendedores vêem bem de perto, principalmente quando as escolhas recaem nos itens com os personagens de preferência no momento.

Marlise Wagner foi com a filha Bel finalizar as compras para o ano letivo de 2026. (Foto: Maria da Graça Marques/JTR)

Com a filha Bel, de 17 anos, que cursa o terceiro ano do Ensino Médio, a professora Marlise Wagner, moradora no Capão do Leão, finalizava a compra do material para as três filhas. Além de Bel, as gêmeas Ester e Isabele, de 15 anos, exigem que Marlise adote uma estratégia na hora de definir os gastos, depois de pesquisar os preços. A mãe conta que libera as escolhas, mas limita o valor total das compras. Segundo Marlise, essa estratégia já estimulou que elas até fizessem sobrar o orçamento para esse tipo de compra, economizando, lembrou Bel.

Para os vendedores, a expectativa é que as vendas voltem a crescer entre essa sexta-feira (20) e o sábado (21). Segundo Márcio Décio, os pais pesquisam os preços entre os diversos itens oferecidos na própria papelaria e também na comparação entre mais de um estabelecimento do ramo. “Se o pai vem junto é de um jeito. Se não, é de outro”, comenta.
Houve aumento de preços do ano passado para esse, concorda o gerente Vinicíus Lemões.

Apesar do movimento de clientes, as vendas não tiveram aumento neste ano. (Foto: Maria da Graça Marques/JTR)

É o caso dos cadernos, que tiveram reajuste superior a 10%, principalmente aqueles com personagens da moda. Bastante procurados, segundo Décio, são os da série Stranger Things, que custam R$ 47,50, com 80 folhas. Sem personagens nas capas, custam R$ 7,50. Em mochilas, o desconto de 20% garante preços a partir de R$ 49,50. Nas vendas, segundo Lemões, não foi visto aumento em relação ao ano passado. A expectativa é que até o final do mês esse resultado possa ser melhor.

Por que agora elas estão fechando as portas?

Os pelotenses têm constatado o fechamento de lojas tradicionais na cidade. Os comentários são muitos, envolvendo desde o mau uso de recursos até as questões familiares, que acabam na dissolução da sociedade empresarial.

Mas o foco da questão, segundo o presidente do Sindicato do Comércio Varejista (Sindilojas), Renzo Antonioli, é mesmo a economia brasileira que não está se desenvolvendo como deveria. O custo empresarial atingiu um patamar que as empresas não estão conseguindo cumprir.

Desde dezembro, as vendas caíram entre 20% e 30%, atingindo um índice que não ocorria desde 2014. “É uma queda violenta”, avalia o líder varejista. A queda nas vendas é geral, enfatiza, reconhecendo que uma soma de fatores acaba causando o fechamento de tantas empresas. E mais: “Se até março, esse quadro não se reverter, teremos muitas outras”. A previsão é que esse quadro pessimista possa ocorrer até o mês de junho.

Conversando com os empresários, principalmente os comerciantes, se ouve reclamações sobre os preços dos aluguéis, que são considerados elevados para o atual mercado, principalmente quando comparados a outras cidades de porte semelhante ao de Pelotas. No entanto, de acordo com Antonioli, o problema maior é mesmo a baixa renda de grande parte do consumidor.

A inadimplência das empresas nunca esteve tão alta, inviabilizando que sejam pagos os empréstimos feitos. Em alguns segmentos, como o de brinquedos, o presidente aponta a concorrência que as vendas pela internet fazem. No entanto, dentro do varejo geral, as vendas on-line no Brasil representam 15%, o que pode significar muito para alguns setores.

Agenda

Turismo na Costa Doce

A Associação Comercial de Pelotas (ACP) realizará no dia 12 de março o workshop Estratégias Empreendedoras no Turismo, em parceria com o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae)gaúcho e o Sicredi Interestados RS/ES. Marcado para as 18h30, na sede da ACP, na rua 7 de Setembro, 274, o workshop será liderado pela consultora Angela Brun, com o objetivo de esclarecer as possibilidades de criação e aplicação de estratégias empreendedoras no turismo a curto, médio e longo prazo, com foco em decisões práticas e alinhadas à realidade de mercado. Com vagas limitadas as inscrições são feitas pelo link forms.cloud.microsoft/r/CfxHEhBTfy.

Custo médio do cesto básico volta a cair

Pesquisa de preços realizada pelo Procon Pelotas nos supermercados da cidade aponta queda de 3,36% no custo médio do cesto básico no mês de janeiro.

Em dezembro, a pesquisa mensal encontrou aumento de 2,34% e em novembro, de 2,85%. Com a queda, o custo do cesto básico ficou em R$ 1.301,60.

Na ração essencial de 13 produtos, a mesma pesquisa do Procon Pelotas encontrou aumentos de 0,16% em dezembro e de 2,30% em novembro.

A maior queda média de preços em janeiro ocorreu nos tomates, de 25,75%. O produto, no mês de novembro, havia tido aumento de 16,43%, de acordo com o levantamento mensal realizado.

Maiores variações em janeiro:
Aumentos
Cenoura: ………………………………….. 26,13%
Achocolatado/pó …………….. 8,55%
Leite longa vida …………………. 8,26%
Laranja ………………………………………….. 7,27%
Ovos de granja ……………………. 7,03%
Quedas
Tomate ……………………………………….. 25,75%
Repolho ………………………………….. 22,22%
Alface ………………………………………… 14,66%
Maçã …………………………………………. 13,915%
Farinha de trigo …………………. 10,73%
Estáveis: Ao total, oito produtos permaneceram com preços estáveis em janeiro. Dentre eles, pão, vinagre de álcool, alvejante, cerveja e cigarros.