
Um time de basquete formado por ex-alunas de escolas de Canguçu voltou às quadras após cerca de 30 anos. A retomada aconteceu em maio de 2025 e, atualmente, o grupo reúne aproximadamente 30 mulheres e um homem, entre atletas e o treinador, com treinos semanais no Ginásio Municipal de Esportes.
A ideia surgiu durante um encontro de mães na escola dos filhos. As canguçuenses Daiana Redü e Camila Ferreira relembraram os tempos de quadra e decidiram procurar o treinador da época, professor Wagner Bersch, para retomar a prática.
Camila Ferreira, farmacêutica e bioquímica, foi uma das promotoras da reorganização. “Ver muitas colegas daquela época, naquele clima de campeonato e o lugar, fizeram me vir à memória os tempos de basquete do professor Wagner. Me deixei levar pelo ‘impulso da nostalgia’ e comecei a falar com cada uma que eu via para retomarmos os jogos. Até que a Daiana entrou no embalo e criamos o grupo. No início eu não imaginava a adesão que ia ter, mas depois percebi que a paixão pelo basquete é quase que unânime entre as antigas alunas do professor Wagner”, e relembra “saímos da saudade de um tempo para a ação em um novo momento nas nossas vidas”.
A origem do grupo aconteceu no ano de 1996, quando estudantes do Colégio Aparecida e da Escola João de Deus Nunes se reuniam para os jogos escolares. Hoje, além das ex-atletas, filhas e filhos de integrantes também participam dos treinos. Os encontros acontecem todas às segundas-feiras, às 20h, no Ginásio Municipal de Esportes. Quem tiver interesse pode acompanhar as atividades no local.
“A gente até brinca em competir, marcar algum jogo contra outro time, mas não temos nada marcado ainda. Ficamos muito tempo paradas, precisamos retomar aos poucos. (…) um jogo de apresentação nós já fizemos”, relembra a advogada e integrante do grupo Karen Telesca.
O grupo reúne mulheres de diferentes gerações. “A Erica, filha do professor, nem era nascida na época em que eu jogava, e hoje ela treina conosco, e isso é muito legal! Assim como a filha da Camila, a filha do Emanuel, o filho da Fernanda, a filha da Denise… e mais as crianças que já estão indo e pegando o gosto”, define a advogada.
A universitária Eduarda Pereira passou a integrar o grupo por incentivo da mãe, Denise Pereira, professora de Educação Física e personal, que também fazia parte da equipe. “Viver o basquete hoje como um legado entre gerações em Canguçu significa sentir que não estamos começando do zero, mas dando continuidade a algo que muitas pessoas construíram antes de nós. É emocionante ver diferentes gerações juntas, famílias participando, e perceber que o esporte virou um elo que conecta histórias, lembranças e sonhos. Ao mesmo tempo, isso nos motiva a fazer a nossa parte, a incentivar quem está chegando agora, e a deixar também uma marca positiva para que as próximas gerações continuem acreditando no esporte como espaço de união, aprendizado e superação”, conta Denise.
Incentivo e motivação à prática esportiva
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base em um levantamento realizado em 2015, indicam que 33,4% das mulheres praticam esportes no período analisado, contra 42,7% dos homens. O cenário demonstra que, historicamente, a participação feminina no esporte nem sempre ocorreu nas mesmas condições que a masculina.
Para a psicóloga Josiane Milech, que também faz parte do time, a permanência no esporte passa por equilibrar a rotina com as diferentes responsabilidades do dia a dia. “Manter a rotina da prática do esporte toda semana é um desafio. Visto que ser mulher no nosso grupo é também ser empresária, funcionária, mãe, dona de casa, amiga, esposa e família. Desta forma, muitas vezes o mundo não pára para que possamos jogar basquete, para que o esporte seja somente visto como espaço de diversão, cuidado e saúde, ficando, assim, em segundo ou terceiro plano em nossas vidas.”
“(…) Não somos só as mulheres que jogam basquete com o professor que marcou nossas vidas. Somos mulheres reais e de verdade, que se fortalecem na empatia de ser e estar também naquele espaço, entendendo a importância do que estamos fazendo, não somente para nossa saúde, mas também para filhos que se criam vendo mães se divertindo e se cuidando, sociedade vendo mulheres quebrando paradigmas e o nosso querido professor entendendo o seu real valor”, analisa.
Desde o ano passado, o professor Wagner Bersch retomou a função de treinador, auxiliado por Emanuel Telesca. Ambos atuam de forma voluntária. Para viabilizar a prática, foi articulado junto à Prefeitura Municipal um horário gratuito no ginásio.
“Fiquei bastante entusiasmado com a proposta. A partir da conversa inicial com algumas das gurias, comecei a mobilização para colocarmos em prática. Importante ressaltar a pronta adesão das demais e o comprometimento de todo o grupo com o ‘projeto’, que envolve a participação e apoio das respectivas famílias, esposos, namorados, filhos, que prestigiam os treinos e participam dos momentos de confraternização”, conta o educador físico.
Entre as conquistas do passado estão participações nos Jogos Franciscanos, em competições na região sul e em torneios escolares municipais e estaduais.



