Na última terça-feira (13), o corpo de uma mulher de 37 anos foi encontrado em Canguçu. Ela estava desaparecida desde a segunda-feira (12). Leticia Foster Rodrigues constava no sistema de pessoas desaparecidas do Rio Grande do Sul. O caso foi registrado como feminicídio.
Conforme confirmação da Polícia Civil, o corpo foi encontrado na Estrada do Ibra, 1º distrito de Canguçu. O caso é investigado pela Delegacia do município. Leticia teria sido vista pela última vez após as 11h, em um veículo Celta. Desde então, não houve mais contato.
Entenda o caso
Segundo relato da Polícia Civil de Canguçu, que estava focada na busca de Leticia desde o registro de seu desaparecimento, durante as investigações, foi recebida a informação de que o parceiro da vítima teria relatado a uma pessoa próxima que foi o responsável pela morte da mulher. A partir disso, os policiais passaram a apurar os locais por onde ambos, vítima e suspeito, poderiam ter passado.
Tendo cometido o crime entre 11h e 12h10 da manhã de segunda-feira, o autor do crime morava com Letícia em Canguçu, e após o assassinato, dirigiu-se até Bagé, onde reside sua mãe. Ele já possuía histórico por tráfico de drogas, o que motivou a prisão. Em interrogatório, o suspeito negou ter cometido o crime. No entanto, relatos e indícios indiretos que chegaram aos policiais, reforçaram a investigação. Atualmente, o autor também responde pelo caso.
O homem já havia sido preso entre março e agosto de 2025 por descumprimento de medida protetiva solicitada pela parceira. Contudo, no momento do crime, a ordem já havia sido retirada.
Na terça-feira, após o corpo ser encontrado e identificado, constatou-se de maneira preliminar, até a divulgação do laudo oficial, que foi utilizado um objeto cortante, como faca ou facão, na região do pescoço de Leticia. A vítima possuía um corte em toda a extensão do pescoço, que teria sido a causa de sua morte.
Procuradoria da Mulher se pronuncia
A vereadora Maica Tainara (PT), única mulher na Câmara Municipal e Procuradora da Mulher de Canguçu, falou sobre a necessidade de políticas públicas sobre o tema.
“A violência contra a mulher não pode ser naturalizada. Cada vida perdida é um alerta urgente de que precisamos fortalecer as políticas públicas de prevenção, proteção e responsabilização dos agressores. (…) Seguiremos cobrando justiça e trabalhando para que nenhuma mulher tenha sua vida interrompida pela violência”.
Repercussão do caso no estado
A secretária da Mulher do Rio Grande do Sul, Fábia Richter, falou sobre o caso. “Estive em Canguçu há alguns dias. Falei em Canguçu e tenho falado sempre que o problema do feminicídio e da violência contra a mulher está muito perto de nós. E agora, em poucos dias, a gente tem essa situação de feminicídio em Canguçu. Uma menina jovem, linda. Imagino a tristeza de sua família. Quero deixar aqui meu abraço, que nada pode recuperar essa perda. Mas que nós possamos todos, com isso, entender que nós precisamos falar sobre isso. Precisamos que os homens entendam que eles não são donos das mulheres. E como é importante que a gente consiga fazer essa mudança do jeito como o homem enxerga a mulher”, destacou.
Despedidas
O velório e sepultamento de Leticia ocorreram na quarta-feira (14) no Cemitério Municipal de Canguçu. Ela deixa dois filhos, além da mãe, Sarajane Guterrres Foster, irmãs, demais familiares e amigos.




