
A Polícia Civil concluiu o inquérito que apurou a morte da jovem Luiza Barcelos, de 21 anos, assassinada em seu apartamento, na rua 31 de Março, na noite de 20 de outubro de 2025.
A conclusão da investigação foi repassada à imprensa na segunda-feira (5), ao Ministério Público (MP) e à mãe da vítima, Míriam Moura, de 41 anos. De acordo com o conjunto de provas reunidas, Luiza foi asfixiada por Henrique Porto, de 29 anos, com quem mantinha, havia alguns meses, um relacionamento extraconjugal. O suspeito encontra-se preso preventivamente no Presídio Regional de Pelotas (PRP).
Imagens de câmeras de segurança instaladas no Sindicato dos Funcionários Públicos Municipais, localizado nas proximidades do prédio onde a vítima residia, flagraram Luiza e Henrique chegando ao local na noite do crime. Entre o momento em que desceram do veículo, subiram ao apartamento e o retorno do homem sozinho ao carro, transcorreram cerca de 28 minutos.
Na manhã do dia 21, como fazia diariamente, Míriam foi até o apartamento da filha para levar frutas. Ao se aproximar do imóvel, estranhou o fato de a porta estar aberta. “Entrei em desespero. Corri, a segurei nos braços, coloquei suas mãos junto ao meu rosto, mas percebi que ela estava gelada e já sem vida”, recorda a mãe, estudante de Pedagogia. “Gritei, chorei muito e pedi a Deus que não fosse verdade, mas minha filhinha já estava morta.”
Segundo a Polícia Civil, as imagens registradas pelas câmeras serviram como ponto de partida para a equipe de investigação, chefiada pelo delegado Vitola Brodbeck, reunir depoimentos, provas técnicas e outros elementos que embasaram o pedido de prisão preventiva do suspeito, posteriormente deferido pela Justiça.
O laudo pericial confirmou que Luiza morreu em decorrência de asfixia mecânica violenta, indicando que mãos foram utilizadas com força extrema na região do pescoço da vítima. “Análises periciais, imagens de videomonitoramento, depoimentos e provas técnicas se somaram aos laudos médico-legais para atestar que a jovem foi morta por asfixia mecânica, por constrição cervical, mediante ação violenta”, informou o delegado em material encaminhado ao jornal Tradição Regional.
Exames complementares também identificaram a ocorrência de ato libidinoso, caracterizado como conjunção carnal, antes da morte da jovem, o que agravou ainda mais o impacto do crime.
“Naquele quarto, com minha menina em meus braços, percebi que um pedaço de mim havia sido arrancado para sempre. Ali começou uma dor que não terá fim”, lamentou a mãe de Luiza. “Quando fecharam o caixão, entendi que eu morri junto com minha filha, mesmo tendo outros dois para criar.”
Abalada e indignada, Míriam relata que, mesmo após o crime, Henrique entrou em contato com ela pelas redes sociais. “Ele sabia que a Luiza já estava morta e, mesmo sem nunca ter falado comigo, me procurou no Messenger para perguntar o que havia acontecido. Disse que eu tinha perdido minha filha. Ele lamentou e, depois, encontrou meu WhatsApp para me dar os pêsames. Isso é nojento e revoltante”, afirmou.
A mãe ainda disse que não simpatizava com o relacionamento, mas tinha conhecimento do envolvimento entre os dois. “Quando minha filha descobriu que ele seria pai de uma criança com outra mulher, se afastou, mas depois voltaram a se encontrar”, revelou.
Durante uma das conversas, ela questionou o suspeito sobre a última vez em que havia visto ou falado com Luiza. Segundo a mãe, ele afirmou que haviam saído para dar uma volta na noite do crime, mas disse estar preocupado por ser casado e pai de um bebê recém-nascido.
“Somente ele, minha filha e Deus sabem o que realmente aconteceu naquele apartamento. Mas ela nunca poderá contar. Resta torcer para que ele passe décadas na cadeia e tenha tempo de refletir, dia após dia, sobre a maldade que fez com a minha menina”, concluiu a mãe.



