Pinheiro Machado se despede de Artêmio Moisés Vaz Coelho ao som de gaita

Tradicionalista, pesquisador da história regional e defensor dos costumes campeiros, Artêmio Moisés Vaz Coelho morreu aos 76 anos, em Pelotas, vítima de complicações cardíacas. (Foto: Arquivo pessoal)

Morreu na terça-feira (6), em Pelotas, onde estava internado por complicações cardíacas, Artêmio Moisés Vaz Coelho, de 76 anos. Engenheiro agrônomo aposentado, agrimensor, historiador amador e tradicionalista, ele era reconhecido pela atuação na preservação da memória cultural de Pinheiro Machado.

O velório ocorreu na capela Santa Clara, em Pinheiro Machado, e o sepultamento foi realizado no cemitério de Torrinhas, na segunda zona do município.

Conhecido pela defesa dos costumes campeiros e pela vivência autêntica do tradicionalismo, Artêmio foi um dos fundadores do piquete Rafael Pinto Bandeira. Dedicou grande parte da vida à pesquisa histórica regional e era considerado um dos maiores conhecedores da história de Pinheiro Machado, especialmente da segunda zona do município.

Seus relatos e palestras eram referências para o esclarecimento de fatos históricos e marcos geográficos locais. Mesmo fora do meio acadêmico formal — ao qual pretendia retornar em 2026 para cursar História —, conquistou respeito pela seriedade das pesquisas e pela dedicação à cultura local.

Em mensagem de despedida, Carlitos Dutra, presidente do Grupo de Estudos Históricos Odil Peraça Dutra – Pró-Memória de Cacimbinhas (GEHOPD), do qual Artêmio fazia parte, destacou a relevância de sua trajetória. “Hoje recebemos a triste notícia do passamento, do nosso amigo, historiador, tradicionalista, pesquisador Artêmio, membro fundador GEHOPD. Nosso Município fica mais pobre em termos de pessoas preocupadas com nossas origens e nossa história. Artêmio era um profundo conhecedor de tudo que se relacionava com a nossa história e, principalmente, ‘lá das Torrinhas’, Segunda Zona de Cacimbinhas, seu berço natal, sabia muito daquela localidade, como datas, antigos moradores, locais de batalhas, etc… Em certas dissertações, quando se pronunciava, quem o ouvia, chegava a confundir o próprio homem com a história. Uma lacuna muito difícil de preencher, fica aqui nosso agradecimento por ter convivido e aprendido com essa Grande Figura”, declarou.

Fiel ao seu jeito simples e descontraído, Artêmio deixou pedidos inusitados para o próprio funeral, atendidos por familiares e amigos. Segundo o filho, Glaúcio Coelho, a despedida ocorreu conforme a vontade do pai. “Deixou muitos pedidos para o funeral, entre eles, ter um gaiteiro tocando, pediu pra servir cachaça a todos que quisessem degustar e a sobra da aguardente fosse colocada no caixão com ele. Também pediu um quilo de erva mate pra levar”, contou.

Descrito como tranquilo e alegre, Artêmio desejava que o funeral não fosse marcado pela tristeza. “Teve um funeral leve, descontraído e com música, conforme ele idealizou. Junto com ele também foi uma das primeiras bandeiras do piquete Rafael Pinto Bandeira, uma de suas maiores paixões. O cortejo fúnebre foi puxado a cavalo até o trevo de saída da cidade pela neta Ana Luiza, companheira de busca da chama crioula”, explicou Glaúcio.

Familiares, amigos e tradicionalistas prestaram as últimas homenagens a Artêmio Moisés Vaz Coelho, cuja trajetória deixa um legado significativo para a história, a cultura e a identidade gaúcha da região.