Com 12 livros escritos, grande parte como ferramenta de enfrentamento ao racismo, a escritora pelotense Olga Maria Lima Pereira conta com uma história marcada por sensibilidade e esperança. Incentivada pela sua tia, Maria Júlia Grecco, a autora, professora, pesquisadora e poetisa – que ocupa hoje a cadeira de nº 18 na Academia Pelotense de Letras – enfrentou desafios ao longo da vida.
Encorajada desde a infância, Olga sentiu um chamado para contar histórias que promovam um mundo mais justo e humano. Assim, em 2015, a pelotense lançou seu primeiro livro “Reinterpretando silêncios: reflexões sobre a docência negra na cidade de Pelotas-RS”. Autora de outras obras como “Cicatrizes da escravidão: da história ao silenciamento”; “O negro no espelho: legado e oralidade”; “Racismo no Barbante da Pipa” e “Adhara e Sankofa: a travessia de um amor valente”, a escritora busca, por meio de cada livro, levar o leitor à reflexão.
Este ano, porém, reservava um desafio inesperado à autora. Com dois livros em andamento, sendo eles “Galope de Sangue” e “Entre miados e latidos um mundo de saudade”, Olga foi diagnosticada com um câncer de endométrio, no estágio três, o qual impossibilitou a continuação e conclusão das duas obras. “Sei que escrever exige de nós um doar-se constante, por isso, assim que me sentir fortalecida, retomarei com as minhas escritas tão carentes de outros olhares. Acredito que nada na vida seja por acaso e, se essa doença me fez parar por algum tempo, com certeza Deus está reservando outros planos para mim. Porque a escrita é bem isso: um libertar-se necessário prestes a cumprir e efetivar nossa trajetória”, afirmou a escritora.
Para ela, o ato de escrever significa resistência e sobrevivência perante os
obstáculos da valorização e reconhecimento dos escritores na atualidade. “O maior desafio que sinto é a pouca valorização dos escritores locais, bem como o percentual elevado cobrado pelas livrarias para que os nossos livros sejam divulgados. Aliados a esses entraves, saliento as ferramentas tecnológicas que a cada dia mais estão descartando o livro físico. Portanto, escrever em nosso país é bem mais que um ato solitário, representa a coragem de parágrafos que tentam sobreviver”, destacou Olga.
Quanto ao futuro, Olga espera poder deixar cada vez mais, por intermédio de seus escritos, um legado que contenha uma nova visão e perspectiva sobre a vida como um todo. “Para mim, o futuro é o presente e nele cabe todas as minhas angústias e sonhos. Pretendo escrever e deixar como legado uma visão mais humanizada da vida. Sei que o tempo corre e nem sempre podemos efetivar o que trazemos como ideal de vida. Acredito que, de uma forma muito singela, consiga deixar sementinhas de um bem querer vestidos de versos e pertinentes reflexões”, concluiu.




