
A comunidade de Piratini aguarda o julgamento de quatro crimes ocorridos em março de 2023, no Assentamento da Rubira, às margens da BR-293, 2º Distrito do município. As mortes foram motivadas pelo estupro de uma mulher de 30 anos, portadora de deficiência mental. O autor foi Jair dos Santos Lima, com 34 anos na época, que convivia e tinha a confiança da família. Na noite de 16 de março daquele ano, o acusado estava responsável por cuidar da vítima enquanto seus pais participavam da Festa do Arroz, em Viamão.
De acordo com a investigação da Polícia Civil, Lima teria tocado nas partes íntimas da mulher e, depois, cometeu o abuso sexual. Exames periciais realizados posteriormente na vítima confirmaram o estupro. O homem também era morador da mesma localidade.
Ao tomar conhecimento que os pais da vítima haviam descoberto o crime poucas horas depois, Lima assassinou o casal e tentou matar o filho caçula, que tinha 10 anos na época. Ainda segundo a investigação, o acusado teria se aproveitado do conhecimento do acesso aos cômodos da residência e invadiu o imóvel enquanto a família dormia. Usando uma arma, a princípio, de grosso calibre, baleou o pai, Noé Gustavo Barreto, de 55 anos, mais conhecido como Bordogue.
Com o barulho dos tiros, a mãe, Suzana Cremonini, de 49, acordou e acabou fugindo para o quarto dos filhos. Contudo, a mulher e o filho caçula foram alvejados. Suzana morreu no local, mas o caçula conseguiu fugir. Ele recebeu atendimento médico em Pelotas, passou por cirurgia e sobreviveu aos ferimentos.
Uma parente das vítimas afirmou ao JTR que o menino ainda carrega um projétil no corpo, junto a um dos rins, mas já consegue levar uma vida próxima ao normal, na mesma casa em que foi criado e quase morreu.
“Já no churrasco que meu irmão fez na quinta-feira [véspera do crime], o assassino estava presente, permanecendo até o dia seguinte, inclusive, com sua esposa, que, após, mandou ir para casa, pois já estava com a intenção de fazer a maldade com a minha sobrinha que é especial”, afirma.
A vítima tem uma forma peculiar de se comunicar, já que não fala, mas conseguiu contar ao irmão sobre o estupro. Quando a mãe chegou, ela usou dos mesmos gestos para revelar os abusos que havia sofrido por parte de Lima.
Do velório do casal, a familiar que concedeu a entrevista lembra de duas cenas em especial. “Eu, em meio aos atos fúnebres, usei a palavra e disse: ‘Quem fez essa maldade está aqui presente’. Acertei! Tanto que o Jair, além de ajudar a abrir as covas e preparar a massa com cimento, disse ao me ouvir falar que haviam feito uma covardia com minha família. ‘Quem fez isso, fez bem feito. Ninguém nunca vai descobrir quem foi’”, afirmou ela.
Dias depois, o acuado foi preso em Guaporé, na Serra Gaúcha, e atualmente aguarda julgamento preso no Presídio Estadual de Canguçu. A expectativa do advogado da família, Francisco Luçardo, é de que o Tribunal do Júri ocorra ainda em 2025 ou, no máximo, no próximo ano.



