Pelotas é destaque entre as cidades com maior redução de índice criminal

Comandante Alexander Cardozo afirmou que houve uma redução de 90% na criminalidade no município. (Foto: Clarissa Ribeiro/JTR)

Entre cidades de 144 países, Pelotas, junto com Niterói, no Rio de Janeiro, figura entre os municípios do Brasil que mais reduziram o índice criminal no período de 2016 a 2025, segundo a Pesquisa Mundial de Vitimização do Instituto Gallup, de Nova York, Estados Unidos. A conquista, fruto de uma gestão integrada, aponta para uma redução de 90% na criminalidade de acordo com o comandante do Comando Regional de Policiamento Ostensivo (CRPO) Sul, Alexander Cardozo, em participação no programa Tradição Entrevista (Confira a entrevista completa no YouTube do JTR).

A redução dos índices ocorreu em relação aos mais variados tipos penais, como homicídio; roubo a pedestre e estabelecimentos; e furto. Ele ainda explica que a cidade se destacou por uma integração entre a gestão da Prefeitura na época do Pacto Pelotas pela Paz – plano de segurança pública criado em 2017 – com o Poder Judiciário, Ministério Público, Brigada Militar, Polícia Civil e Polícia Penal, esta sendo significativa no processo, devido às organizações criminais que gerenciam ações de dentro dos próprios presídios.

Além disso, a região conta com 700 policiais militares e com mais de 500 viaturas disponíveis para atender a população de forma eficaz, segundo Cardozo. “Uma pesquisa foi feita dando conta de que a Brigada Militar na região é um dos órgãos públicos mais bem avaliados e de maior confiabilidade da população. Em razão disso, nós temos um efetivo muito comprometido com a segurança pública”, disse.

Em janeiro de 2017, Porto Alegre passou pelo período mais violento: 109 homicídios, conforme dados apresentados. O comandante ainda expressa a importância de cada policial para que esses números pudessem ser reduzidos em menos de 10 anos. “São homens e mulheres que literalmente entregaram a vida pra gente atingir esses números aqui, e a gente precisa dizer isso, o comandante das tropas, o comandante regional precisa vir na imprensa e dizer isso. São pessoas que não voltaram mais pra casa pra atingir esses números”, afirmou Cardozo.

Cardozo ainda conta que, diante de tantas situações que viveu ao longo de mais de três décadas de profissão, acredita na ressocialização de criminosos. “Na minha vida profissional eu tive a oportunidade de conversar com algumas lideranças criminais de dentro do presídio, e alguns deles estavam, sim, sendo ressocializados dentro do presídio. Alguns participavam de cultos e hoje, passando a palavra, ressocializando pessoas, passando a história dele de que não valia a pena aquele mundo”, revelou.

Região conta com 700 policiais militares e mais de 500 viaturas
disponíveis para atender a população. (Foto: Arquivo)

Quanto ao futuro da polícia, há uma crescente dedicação e preocupação com crimes cibernéticos, fáceis de serem executados, pois protegem a imagem do criminoso e são de grande amplitude financeira. “No cadastro dessas ocorrências, nós encaminhamos para as delegacias de crimes cibernéticos, que hoje têm algumas atuantes em nosso estado.

Acredito que o futuro da polícia, principalmente a judiciária, seja nesse sentido de viabilizar maior número de policiais para poder fazer essas investigações dos crimes virtuais, porque é para onde nós percebemos que o mundo criminal tem escoado as suas ações”, ressaltou o comandante.