
*Com informações da Assessoria de Imprensa
O Parque Una será palco, na próxima quinta-feira (9), da inauguração de uma estátua dedicada ao artista Felipe Povo. O evento ocorre a parit das 19h e faz parte da comemoração dos 10 anos do parque, que está celebrando a data com atividades especiais para a comunidade.
No mesmo dia, será exibido o documentário “Nunca Fui Rei – A Arte de Felipe Povo”. A obra convida o público a mergulhar na trajetória do artista, que fez da arte uma forma de existir e de se reconhecer no mundo. Além disso, uma lojinha criativa vai trazer produtos exclusivos que celebram a obra de Felipe Povo de forma lúdica e inspiradora.
A homenagem nasce como um gesto de reconhecimento, não apenas a Felipe, mas também à força criativa que pulsa em Pelotas. É uma homenagem aos criadores que constroem, dia após dia, nossa cultura. Não poderia haver símbolo mais justo para essa homenagem do que um artista que traz o “Povo” no próprio nome. Ao celebrar a memória de um artista, reafirma-se também a característica de uma cidade que acredita na arte como transformação.
O projeto foi produzido pela parceria entre o restaurante Madre Mia, Studio Erro, Parque Una Pelotas e Idealiza Cidades. Segundo o curador Emir Sarmento, a criação de uma estátua dedicada a um artista plástico representa uma inovação para a cidade. “É a prova de que os tempos estão mudando e de que a celebração de cidadãos em monumentos públicos não se limita apenas àqueles que tiveram importância econômica”, diz.
Para o idealizador do Parque Una e diretor da Idealiza Cidades, Fabiano de Marco, a implementação da estátua de um artista é um reforço do conceito de um urbanismo voltado para as pessoas. “Esse tipo de intervenção valoriza a memória cultural da cidade, aproxima a arte do cotidiano e transforma o espaço público em um local de inspiração, diálogo e pertencimento para a comunidade”, ressalta.
Quem foi Felipe Povo?
Felipe da Conceição Silva nasceu em 1982, em Porto Alegre, e faleceu em 2019, vítima de câncer. Deixou um legado de generosidade e dedicação intensa à arte. Conhecido como Felipe Povo, cresceu em Palmares do Sul, no litoral norte do RS. Desde a infância, demonstrou interesse pela arte e, ainda no ensino primário, frequentou uma escola de desenho. Nesse período de formação, teve contato com um livro sobre o artista holandês Vincent Van Gogh, cuja obra despertou o interesse pela pintura. Na juventude, influenciado por ilustrações de ‘shapes’ de skate, aguçou sua imaginação para uma expressão com atitude e criatividade.
Após mudar-se para Pelotas, iniciou sua trajetória artística com um trabalho que se tornaria ícone de sua produção: um cartaz feito em papel jornal, com a figura de um palhaço em preto e o nariz em vermelho. Abaixo da imagem, escrito em palíndromo, a palavra POVO!, ou seja, !OVOP. Colado aos milhares pela cidade, o cartaz tornou-se uma imagem popular, fortalecendo no artista o desejo de seguir criando.
Dentro do movimento artístico Street Art, o cartaz destacou-se como o trabalho mais influente da cidade naquele período. Sua mensagem provocou reflexão em pessoas de diferentes idades e classes sociais, consolidando Felipe como um artista capaz de conectar arte e comunidade de forma profunda e inovadora.
Ao ingressar na graduação em Artes Visuais na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), teve acesso a diversas técnicas que o inspiraram a iniciar uma jornada de criação múltipla e incessante. Ao longo de sua carreira, produziu em desenho, pintura, xilogravura, serigrafia, cerâmica, stencil, graffiti, bordado, adesivo, fotografia, encadernação, fanzine, livros, cartazes etc., realizando com êxito trabalhos em diferentes linguagens e formas de expressão.
No Espaço Ágape, em Pelotas, integrou uma exposição coletiva junto ao amigo e artista Junior Asnoum e realizou a exposição individual intitulada Originário. Levou a exposição Povoando para a Galeria Sesc, em Lajeado, e também participou de mostras no Espaço de Arte Daniel Bellora, em Pelotas, e na Casa de Cultura Mário Quintana, em Porto Alegre.
Sua personalidade marcou profundamente a cena cultural de Pelotas. Vendia seus trabalhos a preços acessíveis para que mais pessoas pudessem vivenciar sua arte. Pintou murais nos bairros mais necessitados, levando cor e inspiração a quem, muitas vezes, não tinha acesso à arte. Em diversas ocasiões, doou seus fanzines e adesivos em eventos.



