Novo livro de Hilda Simões Lopes apresenta o universo das vivandeiras

A autora ganhadora do Prêmio Açorianos (2017) ambienta seu livro no universo das mulheres que acompanhavam as tropas no final do século XIX (Foto: Divulgação)

A escritora Pelotense Hilda Simões Lopes, lança nesta sexta-feira (15), o romance histórico Maya, no Instituto Simões Lopes Neto. Às 18h, acontece o encontro da autora com a Drª em história Lorena Gill, e após, ocorre a sessão de autógrafos.

Hilda, instigada por grandes historiadores adentrou no universo das vivandeiras, mulheres que acompanhavam tropas militares para vender alimentos, bebidas e itens necessários na época da antiga Província do Rio Grande. “Maya é ficção construída com mulheres e vivências verdadeiras, como as mestras pioneiras Maria Clemência Sampaio e Luciana de Abreu. A trajetória da protagonista é marcada por mulheres autênticas com as quais atravessará os difíceis e verídicos dramas do século oitocentista”, observou a autora.

Maya foi uma escrava fugitiva adolescente amparada pelas vivandeiras. Nutrida pela sabedoria dos povos originários e os mitos africanos, vivia entre mulheres revolucionárias e ousadas, que soltavam prisioneiros farroupilhas, brigavam pelo divórcio, pelo voto feminino, por mulheres nas universidades e pela abolição da escravatura.

“Esse é um livro que também fala das mulheres gaúchas no sentido da força, da coragem, da briga para se situarem como pessoas dignas em um meio que era cruelmente machista. Detalho na obra, o início desse movimento, onde aparece a importância da Luciana de Abreu, a primeira feminista do Rio Grande do Sul e uma das mais importantes feministas do Brasil. Destaco também, o Partenon Literário, entidade criada por homens, onde tinham escritores também se batiam pelo direito à liberdade de leitura, porque naquela época as mulheres só podiam ler o que os pais ou os maridos permitissem”, relatou Hilda.

A autora

Maya é o 11º livro de Hilda

A doutora em Letras Maria Eunice Moreira salienta a força das mulheres dessa história na orelha do livro. “Em uma narrativa poderosa, Hilda Simões Lopes dá vida a personagens singulares, de classes mais abastadas ou escravizadas, cultas ou analfabetas, traçando entre elas o fio do destino e revelando uma faceta pouco explorada do continente sulino. Numa prosa fluida e atraente, Hilda escreve um romance sobre o nosso Rio Grande (mas também sobre o Brasil), que vai dos tempos da escravidão ao final do século XIX, da menina baiana Iara à poderosa Maya e seus ancestrais de África”, contou Eunice.

“Maya” é o décimo primeiro livro da autora, suas obras falam das relações humanas, das mudanças sociais, das condutas-desvio e da evolução do feminino. Ganhou o prêmio Açorianos com A superfície das águas (IEL/1997), foi finalista do mesmo prêmio com Cuba, casa de boleros (AGE, 2000) e finalista do prêmio Minuano com A maçã da rainha má (Literare Books, 2021).