
No início de agosto, Matheus Alves, 22 anos, completou um ano de trabalho em uma loja no Calçadão de Pelotas. Este é o seu primeiro emprego de carteira assinada e foi conseguido após vários meses de tentativas e dezenas de currículos distribuídos pela cidade. A realidade enfrentada por ele é a mesma de milhares de outros jovens e para tentar mudar esse cenário a Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (FGTAS), promove na sexta-feira (15) o Ação Jovem, que oferecerá uma série de ações voltadas a inclusão dos jovens no mercado de trabalho. Na Zona Sul, as atividades acontecem nas agências do SINE/FGTAS em Pelotas, Rio Grande e Canguçu.
Em Pelotas, o evento acontece das 9h às 15h em parceria com o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE-RS), que disponibilizarão 45 vagas de estágio para jovens a partir dos 16 anos, nas áreas administrativas, contábil, marketing, monitoria, vendas e atendimento. Também será realizado cadastro reserva para vagas de jovem aprendiz, com idades entre 14 e 24 anos.
Dentro da agência do SINE em Rio Grande, quatro empresas estarão com equipes de entrevistadores para selecionar os candidatos, sendo que uma delas, o Grupo Guanabara ofertará vagas de primeiro emprego CLT para pessoas sem experiência. O SINE de Canguçu também terá quatro empresas selecionando os candidatos presencialmente na agência da cidade.
Desafios para conseguir o primeiro emprego

Conseguir a primeira oportunidade no mercado de trabalho não foi fácil para Alves. Ele conta que antes de conseguir o emprego atual, passou por outros cinco trabalhos, todos informais ou com vínculo temporário. “Pelotas é carente de oportunidades, muitas empresas não querem abrir as portas para quem não tem experiência, nem treinar os jovens, por isso conseguir emprego está bastante complicado”, comentou.
A história dele se parece muito com a de Henrique Boetege, 23 anos, que atualmente também trabalha no comércio de Pelotas. “Fiquei de três a quatro meses soltando currículo na internet e vinha no centro duas vezes no mês, pelo menos, para soltar currículo. Não consegui entrevista em nenhum outro lugar, nunca me chamaram, acho que é porque não tinha experiência. Mas acabei pegando como diarista aqui e, depois, fui efetivado”, contou.
Para a líder de processos de recrutamento e seleção da Connectare, empresa especializada em Recursos Humanos, Julia Ávila, essa realidade é reflexo de o mercado de trabalho regional ainda não ter se adaptado à tendências, comuns em outras áreas do país como, por exemplo, optar por profissionais que tenham boas soft skills (habilidades comportamentais) e, ajudá-los a adquirir experiência de trabalho.
“Esse cenário traz uma exclusão dos jovens, por justamente não terem experiência e somado a isso, o preconceito que hoje se tem com a Geração Z e seus estigmas, o que gera um conflito geracional”, disse.
A partir disso a maior parte da oferta de postos de trabalho para jovens acaba sendo de vagas para estágios ou postos de jovem aprendiz. “De 20 vagas divulgada pela empresa, 60% são para estágio ou menor aprendiz. Encaminhamos em torno de três candidatos por vaga, uma média de 60 pessoas por mês, dependendo do fluxo”, confirmou a psicóloga especialista em carreiras, Caroline Konradt, da InCompany, empresa especializada em recrutamento de pessoal.
Governo do Estado abre 2,7 mil vagas para jovens aprendizes
Lançada na semana passada, pelo governador Eduardo Leite (PSD), a segunda edição do Programa Partiu Futuro Reconstrução está ofertando 2,7 mil vagas para jovens aprendizes, com idades entre 14 e 22 anos incompletos, que estejam inscritos no Cadastro Único (CadÚnico) e tenham sido cadastrados como atingidos, desabrigados ou desalojados por causa das enchentes de 2024.
Municípios que tiveram situação de calamidade pública, ou que integram o programa RS Seguro foram selecionados para participar do programa. Para Pelotas e Rio Grande serão destinadas 150 vagas, enquanto para São Lourenço do Sul, terá 50.



