
Após uma intensa campanha, a Associação dos Ostomizados, Familiares e Amigos de Pelotas (ASSOFAM) conquistou seu primeiro grande objetivo: uma sede própria. A entidade, com apoio da Prefeitura de Pelotas, passará a ocupar a sala 30, no segundo andar do Terminal Rodoviário. Um dos principais serviços prestados pela associação é o grupo de apoio para pacientes ostomizados e seus familiares, que realiza encontros mensais. A abertura do espaço deve acontecer ainda neste mês, dependendo da entrega das chaves por parte do Executivo.
Com 32 anos de atuação, a serem completados em setembro, a ASSOFAM representa cerca de 2 mil pessoas em 21 municípios da Região Sul do Estado, segundo o presidente da instituição, Luiz Carlos Daunis Pieren. De acordo com a enfermeira coordenadora do Programa de Ostomizados da Secretaria Municipal de Saúde, Aretusa Franceschet, Pelotas atende atualmente 457 pacientes cadastrados. O serviço registra, mensalmente, entre nove e doze novos usuários, número que pode variar.
Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de cólon e reto é o quarto tipo que mais afeta a população brasileira. Pieren destaca que o grupo de apoio oferecido pela Associação é essencial, especialmente para quem está prestes a passar ou passou recentemente por uma estomia. “Muitas dessas pessoas entram em depressão após a cirurgia, não querem sair de casa por conta do incômodo ou da vergonha”, relatou.
Associação busca aumentar número de bolsas fornecidas pelo SUS
Uma das lutas constantes da entidade é pela ampliação do número de bolsas de colostomia fornecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ostomizado há quatro anos, Pieren afirma que recebe oito unidades por mês, o que considera insuficiente. “Muitos ostomizados precisam tirar do próprio bolso um valor extra para comprar mais bolsas, e isso é para o resto da vida. Queremos mais dignidade”, explicou.
Em diálogo com a Prefeitura e empresas privadas, Pieren, junto com o líder comunitário Vicente Amaral, busca dar visibilidade às necessidades do grupo. “A Associação está lutando para que tenhamos banheiros acessíveis para ostomizados em Pelotas. Se conseguirmos, o município será uma das cidades pioneiras no Rio Grande do Sul nesse aspecto. Isso é bom para o prefeito, para a Saúde e para os ostomizados. Por enquanto, um banheiro acessível na rodoviária e outro na Praça Coronel Pedro Osório já seriam um ótimo começo”, apontou Amaral.

Com a sede, a associação poderá ajudar os pacientes ostomizados não apenas na parte da saúde mental e emocional, mas também ajudar as pessoas que estão na fila do SUS, aguardando consultas. Para arrecadar fundo, a ASSOFAM estabeleceu uma campanha com a proposta de uma mensalidade de R$30 para pacientes ostomizados e familiares que queiram ajudar a associação e, também, para qualquer pessoa que queira colaborar com a causa. As doações podem ser feitas através do Pix (chave CNPJ: 00.853.854/0001-10).



