
Por trás das maquiagens, vestidos bordados e joias brilhantes das Baronesas da Feira Nacional do Doce (Fenadoce), estão três mulheres que enfrentam uma rotina intensa e uma jornada transformadora. A atual corte, que cumpre seu segundo mandato – algo inédito, é composta por Juliana Pereira Bast, Letícia Aguilera Larrosa da Rocha e Maria Eduarda Bicca Dode. O que começou com o sonho de participar de um concurso cultural, o que se distancia da ideia meramente relacionada à beleza, tornou-se um compromisso diário de representar Pelotas, suas tradições e a doçura de sua cultura.
“Foi uma experiência maravilhosa. Eu já imaginava que seria incrível, simplesmente por acompanhar as outras cortes. Mas viver é indescritível”, resumiu Letícia Aguilera. Desde o primeiro minuto após a coroação, os compromissos se acumularam: entrevistas, estudos, eventos, encontros com turistas e ações institucionais.
Reinado em dobro: a surpresa e a responsabilidade
A proposta de estender o reinado por mais um ano pegou o trio de surpresa, mas foi recebida com entusiasmo. Nenhuma delas pensou em desistir. Pelo contrário, a oportunidade de continuar esse papel foi encarada como reconhecimento do comprometimento e da amizade construída entre elas.
A segunda temporada como Baronesas, agora mais maduras e ainda mais preparadas, chegou com mais confiança, planejamento e uma nova perspectiva. “A gente vai se organizando, conciliando casa, trabalho, família, faculdade. A rotina muda completamente. Mas vale a pena”, contou Juliana Bast, que equilibra a agenda com a faculdade de Jornalismo e a produção de conteúdos digitais.
“A gente foi muito preparada para esse trabalho, que vai muito além de apenas um concurso. É bastante carga horária. A gente tem que estar preparada todo momento, fora conciliar nossas vidas pessoais porque somos mulheres adultas e nós nos mantemos. Temos que conciliar mais coisas do que talvez conciliaríamos se fôssemos mais novas. Mas eu acho que é um período pequeno que a gente vai levar para o resto da nossa vida”, completou Maria Eduarda.
Renúncias da vida real
A Baronesa Juliana conta que antes mesmo de iniciar a Fenadoce, já levava seu notebook nos compromissos para trabalhar em outros projetos. “Nós temos uma ótima rede de apoio e entre a gente também nós ajudamos, uma vai mais cedo para se arrumar porque tem reunião ou outra chega um pouco mais tarde por conta do trabalho. E é claro, contamos com o apoio da nossa equipe, da CDL, da maquiadora e acompanhante”, ressaltou.
Ser Baronesa exige abdicar. Os compromissos pessoais, como aniversários de família ou de trabalho, muitas vezes foram deixados de lado para cumprir a agenda oficial. Além disso, há um esforço contínuo para manter a imagem: vestidos impecáveis, maquiagem durando horas, disposição para sorrisos e fotos sem interrupção. “A gente esquece o cansaço. Porque é nosso dever, acima de tudo”, disse Maria Eduarda.
Por trás da elegância das Baronesas, existe uma rotina exaustiva e exigente. São dias em que o descanso é escasso, mas o carinho do público recompensa. “É impossível andar pelos corredores da feira sem ser parada. Não são só crianças, senhorzinhos, famílias inteiras. É muito carinho, é caloroso. Isso marca a gente”, concluiu.
Momentos que marcaram
Para Juliana, o momento mais marcante como Baronesa foi quando chamaram o seu nome no dia do concurso. “Eu já tinha participado anteriormente [da competição], mas não tinha entrado, e aí me chamaram e começou ali a linha do tempo de Baronesa, quando senti todo o peso da coroa e da faixa pela primeira vez”.
Maria Eduarda relembra da primeira viagem que fizeram como corte, para Caxias à festa da Uva. “Esse foi meu momento mais marcante, pois a gente não tinha tanto contato nas atividades, tivemos bastante tempo para conversar e também interagir com alguns gestores que estavam com a gente para passar informações do que eles esperavam e como seriam as próximas etapas”.
Letícia conta sobre o que sentiu na véspera do primeiro dia da feira de 2024, quando saíram pela primeira vez com o novo traje completo na rua. “Ninguém conhecia nossos trajes ainda. Depois de algumas agendas saímos para andar pelo Centro e tivemos nosso primeiro contato, de fato, com o público vestidas como Baronesas. Foi muito marcante por conta do carinho das pessoas e foi bem significativo”.
Crescimento, descobertas e legado
O tempo como Baronesa também as transformou. A timidez deu lugar à desenvoltura em público, a insegurança foi substituída por autoridade e empatia. Seja em entrevistas ou no contato direto com o público, as Baronesas assumem um papel de educadoras informais sobre a história de Pelotas e a cultura doceira. “Estudamos muito para entender o porquê da figura da Baronesa, para poder repassar isso com verdade. Hoje, isso está incorporado na gente”, afirmou Letícia.
Ao fim de dois anos de reinado, o sentimento é de dever cumprido. O trio deixa um legado que vai além dos eventos. “O que a gente espera é que as pessoas enxerguem nas Baronesas o símbolo de uma cidade que valoriza sua história, sua cultura e sua diversidade. A figura da Baronesa é, acima de tudo, resistência e tradição”, concluiu Letícia.
A escolha da corte 2026
A próxima Corte de Baronesas que representará a Fenadoce em 2026 será escolhida durante o próprio evento, uma das novidades desta edição.
O objetivo é aproximar o público visitante das possíveis representantes, incentivando a participação de suas torcidas e familiares.
O desfile final e anúncio das vencedoras acontecerá na terça-feira (29), na Praça de Alimentação.




