Emagrecer com remédio? O que você precisa saber antes de tomar essa decisão

Profª. Me. Nutr. Bárbara Freitas. (Foto: Arquivo pessoal)

Nos últimos meses, os chamados “remédios para emagrecer” têm sido cada vez mais comentados — nas conversas do grupo da família, nas redes sociais e até nas rodas de chimarrão. Mas afinal, o que são esses medicamentos, como funcionam e por que seu uso exige tanto cuidado?

Existem, sim, medicamentos aprovados no Brasil para ajudar no emagrecimento, como a sibutramina, o orlistate, e os mais atuais análogos de GLP-1 e GIP, como a liraglutida, a semaglutida e, mais recentemente, a tirzepatida, conhecida comercialmente como Mounjaro. Esses medicamentos vêm ganhando espaço porque agem diretamente nos mecanismos que controlam a fome e a saciedade, além de auxiliarem no controle da glicemia.

A tirzepatida (Mounjaro) é considerada uma inovação porque combina a ação de dois hormônios naturais — GLP-1 e GIP — promovendo maior saciedade, redução do apetite, melhora da sensibilidade à insulina e controle glicêmico. Segundo um estudo publicado na revista “The Lancet” (2022), pessoas com obesidade que usaram tirzepatida conseguiram reduzir até 20% do peso corporal ao longo de 72 semanas, quando o tratamento foi associado a mudanças no estilo de vida.

Mas é preciso cautela. Esses medicamentos não são indicados para quem deseja apenas “secar rápido para o verão”. São voltados para pessoas com obesidade ou sobrepeso com doenças associadas, como diabetes tipo 2 ou hipertensão. E como envolvem mecanismos delicados do metabolismo, só podem ser usados com prescrição médica.

Entre as principais dúvidas de quem pensa em iniciar esse tipo de tratamento estão:

“Por quanto tempo é preciso tomar?”

A duração varia, mas geralmente se recomenda o uso por períodos curtos, com acompanhamento médico contínuo. Em alguns casos específicos, o uso pode se estender por mais tempo, sempre com avaliação dos riscos e benefícios.

“E se parar de tomar, o peso volta?”

Pode voltar, sim. Se o tratamento não for acompanhado por mudanças reais nos hábitos — como uma alimentação balanceada e prática de atividade física — é comum que o corpo recupere o peso perdido. Ou seja, o remédio ajuda, mas não faz todo o trabalho sozinho.

“Esses remédios interagem com outros medicamentos?”

Sim. Eles podem interagir com medicamentos para diabetes, hipertensão, antidepressivos, anticoncepcionais e outros. Por isso, nunca devem ser usados sem que o médico avalie todo o histórico do paciente.

Outra questão importante são os efeitos colaterais. Náuseas, desconforto abdominal, gases, dor de cabeça e constipação são comuns nos primeiros dias. No caso do orlistate, que age bloqueando a absorção de gordura, pode haver diarreia e urgência intestinal, especialmente se o consumo de gordura for alto. Já a sibutramina, por atuar no sistema nervoso, pode aumentar a pressão arterial e causar insônia.

É fundamental entender que esses medicamentos não substituem os alimentos que curam. Uma alimentação baseada em alimentos frescos, preparados em casa, com ingredientes que vêm da feira ou da horta, ainda é a forma mais poderosa de cuidar do corpo. Um purê de abóbora com alho, por exemplo, é barato, sacia e nutre. Um feijão bem cozido, com folhas verdes refogadas e um ovo poché, oferece fibras, proteínas e afeto.

A melhor estratégia sempre será o cuidado diário, com escolhas conscientes e realistas. O remédio pode ser um apoio — mas o verdadeiro protagonista da sua saúde é você.

E você? Já teve dúvidas ou experiências com esse tipo de tratamento? Compartilhe sua história. Ela pode inspirar e orientar outras pessoas em busca de um caminho mais leve e equilibrado.