Nesta edição, expressamos o desejo de perguntar a você leitor(a) o seguinte: qual a sua percepção sobre os meios de comunicação de massa como o rádio e a televisão em canais abertos, que permitem acesso ao público sem custo financeiro, como potenciais estimuladores do pensamento crítico?
Falando em primeira pessoa, antecipo minhas desculpas pelo atrevimento de propor uma análise, cuja comparação temporal e geracional é inevitável, sobretudo para despertar o pensamento crítico daqueles que acompanham a comunicação no Rio Grande do Sul, em Pelotas e região.
Respeitando a história do rádio, primeiro veículo de comunicação de massa, vale lembrar que ele “reinou absoluto” “até o surgimento da televisão”. A televisão, além de contratar os profissionais dotados das mais belas e famosas vozes do rádio, acirrando a disputa pela audiência, oferecia também a imagem. Assim, a televisão brasileira constituiu-se como o grande império da comunicação – resultado de grande audiência e venda de publicidade, período em que se cogitou o fim do rádio.
Contudo, ambos apresentavam grandes dimensões com válvulas, seletores de canais e a TV com seu tubo de imagem. Não tardou para que o transistor mudasse o futuro dos dois, porém, a TV continuou sobre o móvel da sala, já o rádio transistorizado em versão reduzida, saiu a passear no bolso do ouvinte onde quer que este estivesse, provocando uma nova disputa pela audiência.
A partir de agora, vamos sintonizar a TV no Rio Grande do Sul e o rádio em Pelotas, recordando o período de Ditadura Militar em que o Jornal do Almoço era lançado em 6 de março de 1972 pela então TV Gaúcha. Com duas horas de duração apresentado ao vivo, contava com a experiência e capacidade de improviso dos profissionais da época, tendo como quadro político o comentário diário de Jorge Alberto Mendes Ribeiro, conhecido como Mendes Ribeiro, jornalista e vereador em Porto Alegre eleito pelo Movimento Trabalhista Renovador tendo ocupado o cargo de 1º vice-presidente em 1966.
A participação diária de Mendes Ribeiro no Jornal do Almoço era aguardada pelo telespectador, pois naqueles tempos obscuros de vigência do Ato Institucional Número 5 (AI5), um espaço de fala sobre a política não era comum, a não ser que fosse alinhado ao regime. Não pretendo analisar o mérito das falas de Mendes Ribeiro, se contemplavam o sistema vigente ou não, sobretudo porque eu tinha menos de 10 anos quando o Jornal do Almoço iniciou, no entanto, ressalto o valor daquele espaço de fala sobre política despertando a concordância ou discordância e estimulando o pensamento crítico do telespectador.
Posteriormente, Lasier Martins ocupou o espaço do comentário político e, atualmente, vez por outra, quando há interesse em promover alguma análise com mais profundidade, convocam o jornalista Paulo Germano. Caso contrário, o Jornal do Almoço é produtor e reprodutor de notícias, assim como de entretenimento, sendo insuficiente na formação de um telespectador mais crítico.
Para quem acompanha o rádio nos últimos 30 anos, ao sintonizar as emissoras em Pelotas, é perceptível o que aconteceu com a comunicação e, por consequência, com a Câmara de Municipal de Vereadores. Quando as emissoras pelotenses ecoavam as vozes de Volnei Castro, Dinei Avellar, Arion Louzada, Irajá Rodrigues, Gilberto Gomes, Otaviano Cunha, Deogar Soares, Darci Pino, Luiz Carlos Puccinelli, Otávio Soares, Adalin Medeiros, Jorge Malhão, Luiz Marques, Edson Planella e tantos outros, o rádio cumpria o papel de veículo de comunicação social, expondo os problemas da cidade sem amarras políticas ou financeiras.
É muito difícil falar de si mesmo, contudo, mais difícil ainda é negar uma realidade. Hoje, os espaços radiofônicos de fala sobre política que contribuem para a construção de um pensamento crítico têm apenas três endereços. O programa Hora Marcada, com Sérgio Corrêa, na Rádio Tupanci, apresentado por esse colunista; o Pelotas Treze Horas, veiculado pela rádio da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), concebido, produzido e apresentado pelo jornalista Clayton Rocha, no qual seus convidados embarcam nas linhas circulares dos ônibus que contemplam direita e esquerda, e quem ouve sabe quais linhas estão circulando mais. E, por fim, a RádioCom, uma rádio comunitária que tem sua posição ideológica bem definida, no entanto, é um espaço de discussão política. Cabe lembrar que nos três espaços de fala política aqui citados, o direito de concordar, discordar ou até desligar o rádio é prerrogativa do ouvinte, quando exercita seu pensamento crítico.
No passado, as ações do prefeito e dos vereadores de Pelotas passavam diariamente pelo crivo da população por meio do rádio ou do jornal, que teciam críticas ou elogios. Com a extinção desses espaços, a discussão política definhou, reduzindo o conhecimento sobre política e, por conseguinte, o senso crítico da população na hora da escolha do seu vereador.
Ainda bem que tem este espaço no JTR.




