Dois líderes do “fim do mundo”, como disse Francisco, nos deixaram

Sérgio Corrêa, jornalista e radialista.

Jorge Mário Bergoglio, Papa Francisco, e José Alberto Mujica Cordano, Pepe Mujica, dois líderes cujas condutas de vida preservaram a mais perfeita simetria entre suas falas e ações. Dois sólidos exemplos em tempos de vida e relações líquidas e frágeis.

Duas histórias de vida construídas tal qual uma semente de lírio da paz plantada em meio a uma floresta densa e povoada por cactos e outros arbustos espinhosos. Aos que têm o hábito da leitura, afirmo: construir um texto e permitir-se o uso de analogias é dar asas ao leitor para voar entre suas próprias interpretações.

O Papa Francisco e o Pepe Mujica não acumularam riquezas. Muito pelo contrário, viveram e trabalharam incessantemente para reduzir as desigualdades. Os dois abdicaram das regalias proporcionadas pelos cargos que ocuparam, utilizando apenas o simbolismo do poder e do discurso para demostrar ao mundo que eram iguais ao seu povo.

Enquanto o mundo vive uma guerra tarifária na iminência de uma nova Guerra Fria entre Estados Unidos e China, Rússia e Ucrânia ceifam milhares de vidas, Israel e Hamas lutam incessantemente causando milhares de mortes de civis palestinos que lutam por um lugar para seu povo – e quantos serão este povo ao fim da guerra?

Mujica presidiu um país colonizado, mas lutou por seus ideais libertadores e de justiça social. O Papa Francisco nasceu em um país colonizado e comandou não só o Vaticano, menor país do mundo, encravado na Europa – berço dos colonizadores, mas a maior religião do mundo. No entanto, Francisco e Mujica nunca se afastaram de suas raízes.

A ambição por uma vida simples, valorizando as pessoas e os afetos, respeitando a natureza, a autodeterminação de cada povo e a paz, como demonstrado tanto por Francisco quanto por Mujica, os tornarão lembrados por muito tempo, sobretudo por viverem desse modo em um momento histórico marcado por guerras, espetacularização, políticos de redes sociais, inteligência artificial, semeadores de desigualdades sociais, notícias falsas que produzem cada vez mais analfabetos funcionais e modos de vida que levam o planeta ao colapso ambiental.

A coluna destaca a relação destas duas grandes figuras com Pelotas, trazendo imagens de José Alberto Mujica Cordano quando recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), entregue pela ex-reitora Isabela Andrade, e durante a visita do casal de jornalistas pelotenses, Nauro Júnior e Gabriela Mazza, que se unem a Mujica pela paixão por um fusca, bem como do encontro de Isabela com o Papa Francisco em uma missão do Grupo de Cooperação Internacional das Universidades Brasileiras.

(Foto: Arquivo pessoal)
(Foto: Arquivo pessoal)
(Foto: Arquivo pessoal)
(Foto: Arquivo pessoal)