Prefeito de Pedro Osório busca reforço policial em Porto Alegre diante de crise na delegacia local

Condições críticas da Delegacia, junto da iminência de aposentadorias e falta de recursos, ameaça a segurança de cerca de 14 mil habitantes nos municípios de Pedro Osório e Cerrito. (Foto: Divulgação)

O prefeito de Pedro Osório, Ricardo Alves (MDB), levou à capital gaúcha, Porto Alegre, um apelo urgente por reforço policial para a Delegacia de Polícia Civil local, que opera em condições críticas. A situação, que se agrava com a iminência de aposentadorias e a falta de recursos, ameaça a segurança de cerca de 14 mil habitantes nos municípios de Pedro Osório e Cerrito, integralmente atendidos pela DP local.

A delegacia opera em um estado de notável precariedade. Atualmente, a unidade conta com apenas uma viatura, um Pálio Adventure de 2013 em médio estado de conservação, conforme relatório da DP local. A estrutura física do prédio e a falta de equipamentos adequados somam-se ao problema do baixo efetivo, sobrecarregando os agentes e comprometendo o atendimento à população.

Os números revelam a dimensão do problema. Somente em 2024, a DP de Pedro Osório instaurou 226 procedimentos policiais e remeteu 284 ao Poder Judiciário. Atualmente, 624 procedimentos estão em andamento, sem incluir as fases de investigação. Além disso, a delegacia registra uma média anual de 1.200 ocorrências.

Diante desse cenário crítico, o prefeito buscou o diálogo direto com o assessor de Relações Institucionais da Secretária de Segurança Pública, Júlio Amaral. Durante a agenda, o prefeito não só solicitou reforço no efetivo policial, mas também uma nova viatura, especificamente um veículo 4×4, capaz de atender às demandas, principalmente no interior do município.

Alves expôs a apreensão da administração municipal diante da possibilidade de fechamento da delegacia, um cenário que impactaria negativamente a segurança dos cidadãos de Pedro Osório e de Cerrito. O prefeito de Cerrito, Flavinho Vieira (PP), também acessou positivamente a causa e irá reforçar o pedido ao Estado.

A situação da delegacia de Pedro Osório reflete um problema maior que assola o Rio Grande do Sul. Segundo dados da Associação dos Delegados de Polícia (Asdep-RS), cerca de 80 delegacias no interior do Estado operam com apenas um policial, responsável por todas as funções, desde o serviço cartorial até investigações e prisões. Essa realidade, que se sustenta graças ao trabalho preventivo e repressivo da Polícia Militar, expõe a sobrecarga dos agentes civis e a urgência de investimentos em efetivo.

O presidente da Asdep, delegado Guilherme Wondracek, critica a falta de pagamento do sobreaviso aos policiais que trabalham sozinhos nas delegacias, um direito garantido por lei desde janeiro deste ano. O chefe da Polícia Civil gaúcha, delegado Fernando Sodré, admite a existência das delegacias com um só policial e afirma que os trâmites para o pagamento do sobreaviso estão em fase final. Ele também aponta a realização de um concurso para a Polícia Civil em abril como uma das soluções para a falta de servidores.

A busca por reforço policial em Pedro Osório, portanto, se insere em um contexto de crise na segurança pública do Rio Grande do Sul, que exige medidas urgentes para garantir a proteção da população e a continuidade dos serviços essenciais nas delegacias do interior.