Pacto pela Paz I
Um pouco de ciência para analisar a realidade
A diferença entre as abordagens nas redes sociais, como o Facebook, que se tornou campo fértil para notícias falsas, e as notícias ou comentários nos meios de comunicação, como rádio, TV e jornal, é a responsabilidade pela fonte da informação. Neste sentido, qualquer abordagem sobre a paz, mesmo que em uma coluna de jornal, requer o mínimo de ciência e teoria como instrumentos para análise da realidade. Isto posto, faço a pergunta aos leitores: o que você entende como definição ou até mesmo significado de paz?
O filósofo contratualista inglês John Locke afirma que o direito natural, ou seja, a lei da natureza, que é a lei da razão ou, ainda, o que dita o bom senso de cada indivíduo seria instrumento plenamente eficaz para manter a paz.
“Se não houvesse a corrupção e o vício de homens degenerados, não seria preciso outras leis, nem a necessidade de formar, no lugar de grande e natural comunidade, sociedades separadas, fundadas sobre contratos positivos” (John Locke).
Pacto pela Paz II
Sobre o Pacto Pela Paz, usando as lentes do pensamento contratualista de John Locke “se não houvesse a corrupção e o vício”, o direito natural, ou seja, a lei da natureza, que é a lei da razão ou ainda, o que dita o bom senso de cada indivíduo, seria instrumento plenamente eficaz para manter a paz.
Sendo assim, para que cada indivíduo construa um padrão de convivência com os demais, baseado em conceitos de razão e bom senso, é imprescindível perceber tais conceitos como valores coletivos. Deve existir um motivo para que nenhum indivíduo pratique furto ou roubo na cidade onde mora. Assim, o bom senso de que não se deve furtar ou roubar será o entendimento de todos os moradores daquela cidade, eliminando até mesmo o pensamento ou desejo da prática do crime.
Pacto pela Paz III
Guiado pelo pensamento de Locke, é possível questionar: baseado nos conceitos de razão e bom senso, quem constrói as políticas públicas de segurança? É a política e os políticos?
As manchetes mostram políticos envolvidos com corrupção, tráfico, milícias e uma série de estruturas que são estados paralelos.
Para que aconteça a corrupção, o racismo, a violência de gênero, o feminicídio, a desigualdade social e outras categorias de violência, quem falha?
Para o povo, o significado de política é: “arte ou ciência de governar”. Já para os políticos e seus partidos, a política significa e se justifica como o meio pelo qual se consegue chegar e se manter no poder.
Para não passar despercebido
O plenário da Câmara de Vereadores de Pelotas, com a assistência presente e transmissão pelas redes sociais, foi palco de violência de gênero, de manifestações atribuindo consumo da maconha a pessoas que sequer estavam presentes e outras discussões que não são de competência dos vereadores. Legislar sobre uso, porte e consumo de maconha não é competência de vereador.
Em meio a um festival de falas sobre o fato de que a vereadora Fernanda Miranda (PSOL) foi abordada pela Brigada Militar com dois cigarros de maconha, a pauta política ideológica e individual ganhou palco. O que determina o Código de Ética sobre a conduta dos vereadores na Câmara ou fora dela não foi tratado.
Fomos testemunhas de um dos conflitos proporcionados pela democracia, afinal, na Casa do Povo pressupõe-se que todos têm o direito de se manifestar, inclusive o próprio povo.
No entanto, não é bem assim. Alguns vereadores, quando aplaudidos, interromperam a fala para saborear os aplausos e quando contestados fazem queixa para o presidente da Casa, vereador Carlos Junior (PSD), pedindo ordem. Ainda que opostos, aplausos e vaias são formas de manifestação.




