Morre homem queimado por engano dentro de veículo em Piratini

Solismar Cardoso da Martha, de 52 anos, sofreu queimaduras em 95% do corpo. (Foto: Divulgação/Arquivo pessoal)

Solismar Cardoso da Martha, de 52 anos, vítima da então tentativa de homicídio doloso (com intenção de matar) praticada por Vagner de Oliveira Teixeira, de 43, na noite de 25 de janeiro, no bairro Calcário, em Piratini, não resistiu à gravidade dos ferimentos e veio a óbito na noite de quarta-feira (5). O homem sofreu queimaduras de terceiro grau em 95% do corpo e estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Cristo Redentor, em Porto Alegre.

“A família está em choque diante de tamanha brutalidade. Esperamos que a justiça seja feita da forma adequada, como manda a lei. O que aconteceu é extremamente triste”, desabafou um familiar da vítima, que não quis se identificar.

Castelinho foi queimado vivo e, por engano, quando Oliveira colocou fogo no Volkswagen Gol que pertence a Ricardo Farias Telles, também de 52 anos, que atua na construção civil. Telles é desafeto do suspeito, que já foi indiciado pelo delegado Rafael Vitola Brodbeck por mais esse crime, praticado com a intenção de se vingar do pedreiro. Por ter dormido dentro do veículo, o homem foi atingido sem ter nada a ver com a situação entre as partes envolvidas.

A motivação para a barbárie, segundo o proprietário do automóvel, foi passional e envolve uma ex-companheira do investigado, que retornou ao Presídio Estadual de Canguçu, por onde já havia tido outras passagens, inclusive, por assassinato na mesma cidade. Em 4 de abril de 2015, Oliveira invadiu a Boate Bokarra e matou a tiros Nilson Benhur Barbosa da Silva. De acordo com informações levantadas pela reportagem, um mês antes, em 3 de março, o suspeito entrou na Boate Arara e também com disparos de arma de fogo atingiu Alex Sandro Ribeiro Silveira, que não morreu.

“Foi um covarde. Eu era para estar no lugar do Castelo. Queimar uma pessoa viva é algo desumano. Tenho consciência de que vai demorar, mas espero ter saúde para estar vivo e assistir o Wagner pagar pelo que fez”, disse Telles ao JTR em 19 de fevereiro.

Triste diante da morte do amigo que residia com ele, ao falar novamente com a reportagem, o pedreiro limitou-se a dizer: “só peço que a justiça seja feita”.

Inicialmente, Castelinho seria sepultado nesta quinta-feira (6), às 19h, no Cemitério Espírito Santo, no 2º Distrito de Piratini, mas por estar irreconhecível, o ato fúnebre foi adiado para que o Instituto Médico-Legal (IML) possa realizar os procedimentos em torno da coleta de material para o exame de DNA, o que deve levar, pelo menos, três dias.