
Por: Cristian Iepsen
Na propriedade da família Frank, olhar para o futuro é quase tão importante quanto a própria produção. Na localidade de Centenário, interior de Turuçu, o carro chefe nas terras da família é o tabaco, mas a diversificação de culturas é uma realidade que se iguala aos investimentos em modernização para preservar especialmente o bem-estar e garantir um futuro produtivo e próspero.
O comando da propriedade é do casal Ingomar e Luciana, mas o filho Willian, de 21 anos, já é uma voz ativa, com braços fortes no trabalho e atribuições bem definidas no comando. A sucessão familiar está garantida, conforme afirma o jovem, que se mostra entusiasmado para seguir o trabalho de décadas da família. Ingomar, ainda criança, já ajudava os pais na produção do tabaco. Aos 53 anos, ele e a esposa seguem na produção e quando relatam as dificuldades enfrentadas, mostram-se satisfeitos com a realidade atual e as transformações que a tecnologia proporciona.
A propriedade conta com estufa elétrica para secagem do fumo, painéis de energia solar, tratores, colheitadeiras e uma série de equipamentos que facilitam a vida na produção, tanto nas terras próprias quanto nas arrendadas.
A safra atual
Em Turuçu, a área estimada de cultivo de fumo atualmente é de 549 hectares. A família Frank plantou cerca de 107 mil pés de fumo em três etapas. Neste momento, a colheita já está na terceira e última remessa com saldo positivo. “Muito satisfeito com a qualidade do fumo”, comemora Ingomar, relatando que, no início de janeiro, houve preocupação com a estiagem e ameaça de praga. A chuva chegou na hora certa e, junto aos cuidados ideais, tudo foi superado. “O fumo desenvolveu muito bem e a qualidade é muito boa”, avalia o agricultor, satisfeito também com o desenvolvimento atual do milho e da soja, plantados em áreas que, no ciclo de inverno, recebem o tabaco. A rotação de culturas é outra iniciativa na propriedade para garantir a sustentabilidade produtiva. A família é também uma das pioneiras no cultivo dos famosos morangos de Turuçu e faz parte do grupo fundador da Associação de Produtores de Morango.
Modernização
A família Frank se preocupa com o manejo correto, cuidados com o solo, rotação de culturas e, além da tecnologia adotada, recentemente adquiriu uma colheitadeira de fumo. Esta é a segunda safra que a família trabalha com o maquinário. “Desde que adquirimos a colheitadeira não precisamos mais chamar gente de fora. O que fazíamos com cinco pessoas, agora fizemos em três”, conta Luciana, revelando que havia grande dificuldade de encontrar mão de obra disposta a trabalhar a cada safra.
A insistência para compra da máquina foi do filho Willian, que garante: “Vou ficar na lavoura e com uma sucessão de qualidade”, conta ele, ao refletir sobre a importância da modernização e aquisição de equipamentos que facilitam e melhoram a qualidade de vida do produtor rural. “Nós estamos bem melhor desde que adquirimos a máquina”, diz Luciana enquanto o esposo completa: “quem quer ficar no fumo precisa se modernizar e eu incentivo outros produtores a comprar a colheitadeira”.
A Emater/RS-Ascar, apesar de não assessorar a produção de tabaco, acompanha a família especialmente nas culturas de soja, milho e morango. Uma relação próxima e de muitos anos, que dá a Alessandra Storch, chefe do escritório local da instituição, o conhecimento para avaliar os avanços da família. “Tudo se moderniza e isso é importante. Seria muito injusto com o jovem que quer ficar na lavoura não evoluir”, reflete a veterinária ao ouvir o jovem Willian contar sobre as mudanças implantadas na propriedade e seu desejo de seguir na agricultura.



