A ausência de estrutura necessária diante da demanda que cresce de forma significativa, inclusive em Piratini, continua sendo a preocupação principal da Associação da Família e Amigos de Autistas de Piratini (AFAAP), criada em abril deste ano.
Neste sentido, somente a Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), oferta, sem custo, o suporte essencial para pessoas portadoras de Transtorno do Espectro Autista (TEA). A associação conta com repasses decorrentes de um convênio com a Prefeitura para oferecer o suporte, mas os profissionais à disposição atualmente não dão mais conta dado ao número elevado de crianças com o distúrbio.
Cíntia Silveira, 40 anos, vice-
presidente da entidade, ainda sem sede física, conversou com a reportagem do JTR, salientando que esse foi o motivo principal para que familiares se movimentassem no sentido de ampliar o amparo, também através de capacitações técnicas para os têm o desafio diário de lidar com um portador de TEA.
“O meu pequeno tem três anos e o diagnóstico positivo, bem como o nível dele, que é 1, demorou um ano e sete meses devido a esta carência na cidade, bem como do alto custo para obter-se o sim ou o não dos profissionais. Há a necessidade de estruturar e ir à busca de recursos para que, no município, haja o mais rápido possível um norte que nos auxilie de como dar os passos iniciais que permitam agilidade na identificação do distúrbio e, também, seu tratamento”, opina a autônoma.
Ela frisa que com um ano identificou que havia algo de diferente com o filho Júlio. Sem o suporte adequado devido à situação financeira, recorreu à internet para saber o que fazer até que o menino fosse avaliado. “Afirmo: autismo não é para pessoas pobres”, ressaltou. Para conseguir o laudo de forma particular, o custo gira em torno de R$ 4 mil a R$ 5 mil. “Então, recorri ao Google, fui à busca do que fazer enquanto ele não era chamado para ser avaliado. O resultado dessas pesquisas foram cursos que me capacitaram até mesmo no sentido de levá-lo a comer de tudo, pois meu filho era muito seletivo neste sentido. E se eu tivesse esperado quase dois anos sem nada fazer, como ele estaria hoje? Certamente o nível de TEA dele teria aumentado”, afirma Cíntia.
A vice da AFAAP finaliza destacando que a realidade e a necessidade para este fim estão muito distantes uma da outra, já que são vários profissionais imprescindíveis para formar essa rede, que não só identifica, mas, principalmente, trata os autistas, entre eles, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogas e psicopedagogos.
“Ainda tem a neuropediatra, que, após os TEA passarem por todos os demais profissionais já citados, é quem dá a palavra final para, posteriormente, o tratamento, de fato, ter início. Se assim eu tivesse agido, hoje, ele que parou de falar com um ano, não teria retomado a fala. Resumindo: não dá para ficar parada, se não, eles que podem ter um nível, irem para outro, mais elevado”.




