
Quase 11 meses após receber a punição por ter assassinado a idosa Ilza Bezerra, de 76 anos, dentro da própria casa, na avenida Seis de Julho, em Piratini, em setembro de 2020, Géferson Santos, de 38 anos, voltou a ser condenado, na terça-feira (12), pelo Conselho de Sentença. Ineditamente, o júri foi composto apenas por mulheres.
As sete representantes femininas da comunidade de Piratini chegaram a mesma conclusão do júri anterior, ocorrido em dezembro do ano passado e, outra vez, na Associação Atlética Banco do Brasil, Pomarola, alcunha pela qual o homem é conhecido na cidade, terá que ficar mais 21 anos preso, descontado os quatro anos que já está detido.
A realização de um novo julgamento deu-se em decorrência do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) ter invalidado a decisão do ano passado, o que foi considerado desnecessário pelo promotor de Justiça, Adoniran Lemos de Almeida Filho, responsável pela acusação.
“Entendo que essa anulação foi algo atípico, afinal, o que se anulou foi a sentença por denunciação caluniosa contra ele, usando como base a alteração da lei neste sentido. Mas o TJ optou por anular todo o júri anterior”, detalhou Lemos em entrevista ao JTR.
O promotor apontou novamente o trabalho da equipe chefiada pelo delegado de Polícia Civil Rafael Vitola Brodbeck como preponderante para que a sentença de 25 anos, 10 meses e 15 dias de reclusão fosse mantida.
“Num processo há vários fatores que levam a condenação do réu, mas neste, em especial, o intento do Ministério Público (MP) foi alicerçado pelo ótimo trabalho da Polícia Civil, que foi à busca das provas essenciais. Desta forma, renovo meu reconhecimento a esta instituição”.
Quanto à violência e a forma usada pelo assassino para tirar a vida de Ilza, Lemos foi enfático. “Ele não deu chance de defesa a ela, com quem já havia tido outros desentendimentos. A Ilza tinha muito medo do Géferson. Além de tê-la degolado, também deu outras 16 facadas pelo restante do seu corpo. Foi algo bárbaro, desnecessário e por motivo torpe. Um crime hediondo”, opinou.
Lemos concluiu fazendo uma observação relacionada à composição inédita do corpo de jurados. “Tanto o MP como o magistrado destacou este ponto: somente mulheres integrando um júri. Para mim, demonstra o empoderamento feminino. Isso merece ser realçado, pois elas representaram a sociedade, a população de Piratini”.



