
Mesmo que o requerimento assinado pelo morador da rua Princesa Isabel, Niry Silveira, tenha sido protocolado junto ao Gabinete do prefeito Márcio Porto (MDB) no começo de setembro deste ano para que sejam colocados redutores de velocidade na via, nada avançou neste sentido até o momento.
Na segunda-feira (4), o JTR voltou a questionar o setor responsável por fazer a análise de viabilidade e, consequentemente, emitir o parecer técnico que permita ao Conselho Municipal de Trânsito submeter ou não a pauta aos integrantes do órgão. Essa foi mais uma das dezenas de tentativas dos moradores do entorno da via, uma das três asfaltadas que permitem o acesso a Piratini. A obra foi realizada em 2011, ao final de uma das duas gestões do ex-prefeito Vilso Gomes (PSDB), quando o problema foi detectado e passou oferecer risco aos pedestres.
“Ainda não foi possível ver quanto a este assunto. Vamos conversar com o Conselho, pois há algo, também importante, que deve ser observado neste sentido: quebra-molas neste local pode levar a danos mecânicos em veículos pesados, tanto que há reclamações dos motoristas.
Portanto, talvez, sonorizadores seriam mais adequados para esta finalidade. Vamos ver. Asseguro que nos próximos dias teremos uma posição”, afirmou Marcelo Gonçalves, engenheiro responsável pelo setor de projetos na Prefeitura.
A manifestação dos moradores veio menos de 24 horas. Evanilda Rodrigues da Silva, de 50 anos, se soma aos demais vizinhos na cobrança que, de acordo com ela, poderá evitar que presencie novamente a cena vista no segundo semestre de 2023, quando, sentada em frente a sua casa, flagrou um ciclista ser atropelado por um veículo de passeio e escapar da morte. “O carro, que estava em alta velocidade, jogou o rapaz que andava de bicicleta pra cima. Ele foi parar muitos metros depois da minha casa”, relembra.
“Aqui, por não ter calçada, todos, inclusive eu, temos que, ao sair de casa, andar pelo asfalto. O que estamos pedindo é algo pra nossa segurança, não só a de nós, os adultos, mas também das muitas crianças que usam a rua ao irem e voltarem da escola”, concluiu a moradora.
Vilma Souza Hartwig, de 50 anos, recordou que também foi vítima da velocidade incompatível com o local. “Foi em janeiro de 2014. Era noite e estava muito escuro, pois a iluminação quase não existia. Lembro que quando eu e minhas filhas descíamos em direção ao nosso bairro, pouco antes de eu sentir o estouro, exatamente por temer o que aconteceu, troquei minha pequena, que não tinha mais que três anos, da posição em que estava para o outro lado. Fiz isso e, logo a seguir, senti o estouro. Fui jogada pra cima e apaguei, acordando no hospital, com muitos ferimentos no rosto e nos braços e ainda este aqui”, relatou a moradora, mostrando o lado esquerdo inferior, onde, mesmo por cima da roupa, é possível ver um enorme hematoma entre a nádega e a perna – sequela deixada pelo atropelamento. O motorista do veículo teria fugido sem prestar socorro.
Opinando que é necessária a instalação urgente dos redutores, Vilma admite que sua percepção de perigo salvou a vida da filha caçula. “Toda vez que novos governos e vereadores de Piratini são eleitos, nossa esperança é renovada. Votamos neles para que resolvam isso, melhorem nossas vidas, já que se eu não tivesse alterado minha filha de lado quando voltávamos para casa, no Padre Reinaldo, ela teria sido a atropelada pelo carro que estava com os faróis desligados e, certamente, não teria resistido”, finalizou.



