Moradores aguardam há mais de 15 anos pela posição do poder público sobre moradias populares em Piratini

Doente, se aproximando da terceira idade e ainda sem ter moradia própria, Maria Joaquina é uma das moradoras que aguarda por uma das casas populares. (Foto: Nael Rosa/JTR)

O bairro Padre Reinaldo, inicia­do em 1991 em uma das gestões do MDB, foi concluído em 2008, no úl­timo ano de mandato do ex-prefei­to tucano, Francisco Luçardo. De lá para cá, todos os prefeitos passa­ram a alegar que o município não possui mais terrenos para, inclusi­ve, acessar programas habitacio­nais do governo federal. Sendo as­sim, praticamente nada foi feito no sentido de moradias para famílias de baixa renda, o que em Piratini, inevitavelmente, aumentou, e mui­to, a fila composta por quem espe­ra ser contemplado com uma casa a baixo custo.

Entre os exemplos desse que é um dos grandes desafios das ad­ministrações está Maria Joaqui­na Oliveira de Souza, de 57 anos, que passou a residir no município em 2019 e que, atualmente, mora em um cômodo da residência que o filho aluga, devido a não ter onde morar.

“Estou inscrita há três anos para ganhar um chalé. Cheguei a alu­gar uma casa e por ela pagava R$ 470,00. Mas como a Justiça inde­feriu meu pedido para continuar recebendo o Benefício de Presta­ção Continuada (BPC), o que tor­nei a ganhar devido a uma liminar que pode ser cassada a qualquer momento, decidi entregar o imó­vel, pois, para me manter nele, teria que assinar um contrato e poderia não ter como honrar o pagamen­to todo mês”, detalha Maria, que tem depressão e ansiedade – con­dições que a impedem de trabalhar.

Ao se aproximar da terceira ida­de ainda sem ter uma moradia para chamar de sua, ela resume sua frus­tração e preocupação com o dia de amanhã. “Não tenho palavras para definir minha situação. Talvez tris­teza e preocupação. Acho que é isso, não consigo dizer mais nada, ir além nesse sentido. A esperança de ganhar esse chalé é apenas o que tenho, é a única saída”, relata.

Com a mesma expectativa está a aposentada, Marilena Borges Marques, de 58 anos, outra à es­pera por um dos possíveis futuros chalés, que, na atual gestão, con­templou algumas famílias na cha­mada Vila do Cancelão. “Entendo ter faltado pouco para eu ganhar um. Estava tudo praticamente cer­to. Acredito que eu tenha saído da fila de espera por ter, durante um período após minha inscrição, uma união estável, o que pode ter sido visto, mas não posso afirmar, como aumento da minha renda mensal e isso me fez não ser contempla­da”, observou.

Marilena se aposentou por in­validez e ganha por mês R$ 1,4 mil. A metade do benefício ela gasta apenas com um dos medicamentos que usa de forma contínua. “Já vol­tei para a fila, pois não tenho mais um companheiro, sendo assim, me resta aguardar e torcer, já que, no momento, pago R$ 300,00 de alu­guel”, finaliza.

Em busca de um contrapon­to do município, o JTR procurou o secretário de Habitação, Robson Lobato. No entanto, não obteve retorno até o fechamento desta edição.