Os irmãos Mendonça, acusados pela morte dos também irmãos, Herminio da Rosa Ávila e Horaci da Rosa Ávila, de Piratini, foram novamente condenados. O júri foi realizado na quarta-feira (10), na Comarca de Pelotas, e teve duração de cerca de 13 horas.
O crime aconteceu em 2016, e o primeiro julgamento, ocorrido em 2020, foi anulado. Na ocasião, os réus haviam sido condenados e outros dois acusados absolvidos. No segundo julgamento, o policial militar Edelmiro de Mendonça, de 49 anos, conhecido como Miroca, foi condenado a 22 anos e oito meses de reclusão por duplo homicídio, formação de milícia e também teve a perda de seu cargo público decretada. Já Armando Marcos Mendonça, de 54, o Armandinho, teve a pena fixada em 17 anos e seis meses por duplo homicídio e porte ilegal de arma. Ambos foram condenados em primeira instância em regime fechado. Entretanto, Armandinho está em liberdade até o resultado da apelação interpelada pela defesa.
Em 2021, o Tribunal de Justiça acatou o recurso das defesas e anulou o julgamento por uma questão formal. Os acusados ficaram em liberdade até a realização do novo júri, que ocorreu na Comarca de Pelotas devido ao um desaforamento, ou seja, quando um processo é transferido de um foro para outro.
O promotor de Justiça Márcio Schlee Gomes atuou pelo Ministério Público junto aos advogados Rodnei Gallo Flores e Marcial Lucas Guastucci. Gomes já havia sido o responsável pela acusação no primeiro julgamento. “Foi muito importante enfatizar que as vítimas eram pessoas com família, pessoas trabalhadoras, com dignidade. E, também, não deixar manchar a história dessas pessoas. E isso foi muito importante, porque houve uma manifestação popular em Piratini, houve uma comoção com esse caso”, afirma o promotor. No segundo júri, os réus foram condenados sob a qualificadora anterior de recurso que dificultou a defesa das vítimas.
No julgamento, estiveram presentes moradores de Piratini, as viúvas e os filhos das vítimas. “Julgá-los e condená-los pela segunda vez era necessário, mas reviver parte desta situação novamente mexeu conosco. Estamos aliviados, mas ficamos frustrados com a penalização devido a essas tantas brechas existentes na lei”, lamentou Aline da Rosa Ávila, de 35, viúva de Horaci, se referindo ao fato de Armadinho estar aguardando o recurso em liberdade.
Relembre o caso
No dia 2 de março de 2016, os irmãos Hermínio e Horaci, na época com respectivamente 33 e 36 anos, foram mortos a tiros dentro do carro que estavam. O crime ocorreu no Corredor do Kubitschek, 4ª Distrito, zona rural de Piratini. Os disparos vieram direcionados de Eldemiro e Armando, que estavam fazendo uma “patrulha rural” na região. As vítimas tentaram recuar da patrulha, mas foram atingidas pelos disparos sem chances de defesa.
Herminio era agricultor e deixou a esposa, Alda Domingues da Cruz, e um casal de filhos, que quando ocorreu o fato eram crianças ainda. Já Horaci, que também era agricultor e músico, e deixou a esposa, Aline, e uma filha, que na época tinha apenas um ano de idade. “Todos nós ficamos marcados com a tragédia e afirmo: é impossível que sejamos os mesmos. Conseguimos, no máximo, ressignificar nossa dor, o que se fez necessário para seguirmos em frente. Mas não há um só dia em que eu não me lembre do que aconteceu, já que a morte deles tirou tudo de nós: os sonhos das famílias, a conivência com os filhos que não puderam mais, por exemplo, receber um abraço, um beijo, um carinho dos pais e há anos tem apenas dois túmulos para visitar”, finalizou Aline.





