
Nos últimos anos, as belezas do interior passaram a receber turistas em um formato diferente. Com a criação de rotas turísticas, o cicloturismo na região cresceu e diversos grupos de ciclistas passaram a conhecer as belezas e os empreendimentos da zona rural de Canguçu, através de roteiros especiais para o cicloturismo.
Desde o grande sucesso do Desafio Serra dos Tapes, o município implantou o Programa de Desenvolvimento Local, o Prodel, que passou a projetar o Roteiro de Cicloturismo Caminhos da Colônia. Desde então, o município chama cada vez mais a atenção de ciclistas, seja pelas belezas encontradas ao longo das rotas realizadas ou pela estrutura encontrada levando em consideração o formato do terreno presente no município.
Em conversa com o JTR, a extensionista rural da Emater/RS – Ascar, Bianca Silveira, ressalta que um dos atrativos também é o fato da grande expansão e quilometragem de estradas de chão encontradas no município. “Ter mais de 8 mil quilômetros de estradas dentro do município, o que torna as possibilidades de percursos enormes”.
Sobre o roteiro de Cicloturismo – Caminhos da Colônia
A construção do roteiro que contempla inúmeros pontos turísticos do interior canguçuense contou com a contribuição da Prefeitura, Emater, Associação do Comércio, Indústria e Serviços de Canguçu (Acican), grupos de ciclistas do município, empreendimentos turístico e o Prodel, de forma articuladora.
O “Caminhos da Colônia” possui seis trajetos com quilometragem variável. A proposta é realizar um percurso por dia, completando 244 km no total. Ao longo do caminho é possível contemplar diversas propriedades ligadas ao Turismo Rural de Canguçu.
Com o intuito de fortalecer o cicloturismo em geral, em agosto de 2021, foi aprovada uma Lei Municipal instituindo a “Semana Municipal do Cicloturismo”, que é comemorada anualmente na última semana do mês de setembro. Logo em seguida, acontece o Desafio Caminhos da Colônia. Atualmente, a organização do evento é realizada pelos grupos de ciclistas, com apoio da Emater/RS e da Prefeitura.
A última edição aconteceu em março deste ano. O desafio estava marcado para setembro do ano passado, mas por conta das fortes chuvas no período, precisou ser remarcado. Esta foi a terceira edição e teve como local de partida o Santuário Nossa Senhora da Conceição. Mais uma vez, o evento contou com a presença de centenas de ciclistas de diferentes localidades e municípios.
O professor Daniel Vianna, de 38 anos, participa do Desafio de Cicloturismo Caminhos da Colônia desde a primeira edição e conta que é um evento que tem tudo pra dar certo. “Eu acho que o pessoal, os organizadores, eles pensam muito bem no trajeto para que a gente possa usufruir de tudo que o Turismo Rural pode nos proporcionar. Então, a gente, além de se desafiar em cima da bicicleta, a gente conhece lugares novos, pontos turísticos”. Vianna comenta ainda sobre a experiência positiva de ter o contato com os proprietários de empreendimentos turísticos que fazem parte do roteiro. “Foi muito legal a participação porque os potenciais turísticos que existem na cidade, no interior, eles acabam acolhendo muito bem o ciclista e, muitas vezes, a gente acaba voltando em outro momento com a família, sem a bicicleta”.
Sobre o futuro do cicloturismo em Canguçu, Vianna comenta que o município tem um potencial turístico enorme. “Esses desafios que têm acabam fomentando o turismo e aproximando pessoas de propriedades. Então, é um momento que muitas pessoas que não são da região acabam conhecendo o interior, acabam conhecendo as suas potencialidades e acredito num caminho próspero”.
Roteiro – Rota do Pêssego
Canguçu faz parte também da chamada “Rota dos Pêssegos”. O evento costuma acontecer no mês de dezembro e contempla ainda os municípios vizinhos de Pelotas e Morro Redondo. Com largada no Tchê Parque de Canguçu, a última edição do evento contou com a participação de mais de 700 ciclistas de diversas cidades. O desafio teve roteiros de 18 km, 46 km e 67 km.
A Rota do Pêssego é organizada pelos grupos de ciclistas Sem Pedal e Pedalentos, com apoio das prefeituras dos três municípios envolvidos. Luíz Hermes Júnior, integrante do grupo Sem Pedal, um dos organizadores da rota, comentou sobre o início e o crescimento do roteiro.
“A Rota do Pêssego foi criada em 2021, onde nós tivemos o nosso primeiro evento, reunindo 360 ciclistas, onde a gente percorreu as estradas do interior, com a largada de um parque aquático chamado Tchê Parque, da cidade de Canguçu. No segundo ano, em 2022, nós tivemos 610 ciclistas participando. No ano passado, tivemos 730, dobrando o número do primeiro ano”.
O ciclista enfatiza ainda que a expectativa para este ano é que supere o número de participantes do ano passado. Júnior conta ainda que a rota alcançou um nível surpreendente de alcance contando com ciclistas até mesmo de fora do país: “Hoje em dia, a Rota do Pêssego é um evento que já está em nível estadual e até um nível internacional, porque nós temos bastante presença de público do Uruguai também. Do Uruguai vem bastante gente nos prestigiar”.
Além disso, a importância dos eventos de cicloturismo para o município ultrapassa as barreiras do turismo, uma vez que mexe com a economia local ao atrair pessoas de fora para a cidade que se hospedam em hotéis e consomem produtos do município. “A gente consegue mexer com a economia do nosso município, lotando hotéis, pousadas, empreendimentos rurais, postos de gasolina, restaurante, campings… Então, tudo isso no final de semana do evento. E o mais legal de tudo isso é que algumas parcerias que a gente tem, alguns empreendimentos, porque o pessoal sai para pedalar no nosso interior e acaba conhecendo. Então, alguns empreendimentos que a gente visita no dia do evento me relataram que, muitas vezes, o ciclista retorna em outra oportunidade com a família”, contou.
Próximos eventos
Para 2024, estão previstas mais uma edição de ambos os roteiros. Em setembro, a Semana do Cicloturismo, e em dezembro mais uma edição da Rota do Pêssego.



