
“Dou graças a Deus por estar ajudando e não me encontrar no lugar daqueles que estão sendo ajudados nesta triste realidade”. Esta foi a resposta dada pelo piratiniense Adan D’Avila de Ávila, de 26 anos, à pergunta sobre qual é a sensação de integrar uma das tantas equipes de voluntários que estão engajados na missão diária de socorro às vítimas da enchente em parte do Rio Grande do Sul.
Entre 1º e 22 de maio, Ávila, assim como tantos outros que residem em áreas que não foram inundadas, se desdobrou para amparar milhares de pessoas que necessitam, por exemplo, de água, comida e agasalhos.
Morando há sete anos em Gramado, o jovem arregaçou as mangas desde que começaram os alagamentos, se juntou a nove desconhecidos e todos seguiram em direção a Três Coroas e Igrejinha, no Vale do Paranhana, municípios vizinhos onde a destruição causada pelas chuvas pode ser comparada à força dos tornados que, com frequência, “varrem” cidades americanas.
“Não nos conhecíamos, portanto, não éramos nem mesmo amigos, o que mudou, pois, ao nos reunirmos para fazer o que estava e ainda está ao nosso alcance neste momento, agora temos um laço de amizade”, disse Ávila, em entrevista por telefone, ao JTR.
O jovem relatou que na Serra Gaúcha os alagamentos são pontuais, pois o município está geograficamente em um ponto elevado, sendo os deslizamentos de encostas os maiores problemas desta região do RS.
“Quem mora lá embaixo, ou seja, próximo à região da grande Porto Alegre, está padecendo. Nossa primeira ação foi descer até onde, de fato, houve o desastre e ajudar as pessoas a retirarem os móveis de suas casas, sendo que destes nada sobrou, para após retirar toneladas de lodo de todos os cômodos”, relembra o voluntário.
Mas, os agora amigos foram além: se uniram a outro grupo para preparar e distribuir 700 marmitas diárias aos afetados pelas cheias. Durante 21 dias, as refeições foram preparadas na cozinha industrial montada em um caminhão.
“Eu, inclusive, me somei a outros 25 integrantes, e, além das marmitas preparadas por nós neste caminhão de propriedade de um grupo de pessoas que, com jipes costumam fazer trilhas na região, compramos com recursos próprios, água, sanduíches e proteínas, que, principalmente, alimentaram quem está com fome neste momento. Sempre gostei de ajudar, de ser voluntário, então, estou satisfeito”, conclui.



