Mães agricultoras equilibram a rotina de trabalho e de cuidados com os filhos

Andréia Bonow, o marido Tiago e o filho Thailor. (Foto: Arquivo pessoal)

De acordo com dados do blog do Ibre, da Fundação Getúlio Vargas, a taxa de participação da mulher no mercado de trabalho cresceu de 34,8% em 1990 para 54,3% em 2019.

Houve uma queda em 2021, possivelmente por conta da pandemia de Covid-19, para 51,6%. Ainda assim, é um aumento significativo. Em 2017, a partir do Censo Agropecuário, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) identificou 947 mil mulheres que são gestoras de propriedades rurais, sendo 11% na região sul do Brasil. As mulheres que também são mães e trabalham com a produção agrícola precisam se dividir entra a  maternidade e a lida no campo.

“Eu gostaria de dizer que devido às dificuldades de conciliar o trabalho com a rotina de mãe, esposa, dona de casa, que nunca esquecemos de ter o auto-amor, o autocuidado com nós mesmas, e apesar de tudo, somos as melhores mães que os nossos filhos poderiam ter.” diz Andréia Bonow, 32 anos, agricultora.

Ela e o marido são agricultores da Colônia Corrientes, localizada em Turuçu. O trabalho do casal tem foco na produção de hortifrutis, como morangos, pimentões, temperos e uma variedade de outros produtos. Andréia também desempenha o papel de mãe de Thailor Henrique, de 11 anos. “Quando meu filho era bebê, trabalhar era mais complicado. Então, quando ele era bem bebezinho, eu me dedicava a ele. E, conforme ele foi crescendo, assim eu também fui começando a fazer mais coisas, ajudando o meu marido no serviço”, conta a agricultora, que não dispõe de ajuda externa para os cuidados com o filho no dia a dia.

A rotina de quem trabalha com a plantação pode ser exaustiva devido aos manejos que a produção exige. Além disso, contratempos existem e as mudanças climáticas podem acontecer e assim surge a necessidade de novos cuidados. O trabalho do agricultor tem muitas vertentes, desde a preparação do solo até a venda dos alimentos. Para as mães e agricultoras, a jornada de trabalho é dupla. “Acho que a maior dificuldade é não conseguir dar, às vezes, a atenção que gostaríamos ao nosso filho. Em relação ao trabalho, por ter uns dias mais puxados, mais corridos”, relata Andréia.

A agricultora conta a resposta de Thailor quando questionado sobre sua rotina, considerando que seus pais trabalham no campo. “Ele diz que a rotina é boa porque a gente sempre tenta conciliar a atenção e o trabalho, né? E agora, como ele já é maiorzinho, já compreende a nossa rotina, já entende que é nosso sustento. Então, ele foi se adaptando com a rotina, com o nosso trabalho. E a gente sempre tenta dar a atenção para ele quando ele precisa, a gente fica observando ele, conversando com ele”, finaliza.