Senac Pelotas forma primeira turma de TI pelo projeto Ilê Tech

Ao todo, 17 alunos participaram gratuitamente do curso. (Foto: Ítalo Santos)

O projeto Ilê Tech, parceria lançada em dezembro do ano passado entre a Faculdade Senac Pelotas e o Instituto Acredite, de Porto Alegre, formou na noite desta sexta-feira (16) a primeira turma de inclusão digital voltada exclusivamente para pessoas negras. Os certificados foram entregues aos 17 alunos que participaram gratuitamente do curso, cujas aulas tiveram início em fevereiro deste ano. A turma, agora, está capacitada a disputar vagas no sempre aquecido mercado de trabalho de Tecnologia da Informação. A cerimônia foi realizada no futuro Centro de Tecnologia da Faculdade Senac Pelotas, na rua Félix da Cunha, em frente à agência central dos Correios, na área central. O encerramento coube à Companhia de Dança Afro Daniel Amaro, que apresentou um fragmento da coreografia A dança dos Quimbandeiros.

O coreógrafo Daniel Amaro com o elenco da Companhia e os formandos após a apresentação do fragmento do espetáculo A dança dos Quimbandeiros, no encerramento da cerimônia de formatura do projeto Ilê Tech. (Foto: Ítalo Santos)

Foi a primeira experiência da parceria entre a Faculdade Senac e o Instituto Acredite no interior do Estado. A avaliação dos executivos do Senac é de que foi bem-sucedida. Tanto que o desafio agora é tornar o Ilê Tech não mais um projeto (“projeto tem começo, meio e fim”, explica Tiago Radmann, diretor da Faculdade Senac Pelotas), mas um programa continuado. De acordo com ele, a perspectiva é de que uma nova turma seja aberta no segundo semestre, provavelmente em setembro. ““É esta a ideia”, garantiu.

Além da presidente do Instituto Acredite, Denise Pereira da Silva, a formatura foi prestigiada pelo diretor regional do Senac, Ariel Alberti. Ele também veio de Porto Alegre para acompanhar a entrega dos certificados. Alberti gostou do que viu e se mostrou entusiasta da iniciativa. Ele não só apoia a continuidade de projetos como o Ilê Tech como acredita no papel do Senac para favorecer grupos que historicamente sempre tiveram um papel subalterno na sociedade brasileira. Diz o executivo: “O Ilê Tech é uma realidade que começou em Porto Alegre, se expandiu pra Pelotas, deve se expandir pra outras cidades do interior do Rio Grande do Sul, deve voltar a acontecer aqui em Pelotas, mas não só com a negritude, deve ser inclusivo em todos os aspectos, com a mulher, com a pessoa com deficiência, pode confiar que o Senac vai trazer outros projetos aqui para Pelotas.”

Vice-presidente do Sistema Fecomércio, Gilmar Bazanella parabenizou os formandos e desejou a todos, antes de sucesso, perseverança. Também titular da Secretaria Municipal de Desenvolvimento, Turismo e Inovação, Bazanella considerou o Ilê Tech um “excelente exemplo” na redução da desigualdade e do racismo no mercado de trabalho e disse que a iniciativa inédita na cidade não foi movida por “generosidade”. Explicou porquê: “Nós, pelotenses, precisamos pensar e olhar para o futuro para um segmento tão importante que ajudou na cultura e na economia desta cidade.”

Os formandos também tiveram direito à fala. No caso, Gabriel Maino Schild, escolhido a se manifestar pela turma que teve como professora a docente da Faculdade Senac, Bruna Ribeiro. Ele admitiu que pela primeira vez em toda sua carreira escolar se sentiu confortável em sala de aula. “Pela primeira vez só tinham alunos pretos na sala – o privilégio de existir e viver em comunidade é completamente branco no Brasil visto que somos minoria em qualquer espaço de estudo ou trabalho que não esteja ligado à subserviência ou descaso – e esta experiência foi muito diferente disso.” Confiante, Schild disse não ter dúvida de que ele e os colegas receberam a capacitação necessária para enfrentar o mercado de trabalho. “Vamos largar nossos currículos em diversas empresas e realizar tudo o que é exigido na área – programação, códigos, construção de sites, conseguir entrar nesse jogo é um merecimento nosso.”

A professora Bruna Ribeiro, responsável pela turma formada nesta sexta-feira, fala durante a cerimônia. (Foto: Ítalo Santos)

A opinião é compartilhada pelo colega Renan Gomes Lemos, 26 anos. Ele não tem dúvidas de que o Ilê Tech vai dar um “upgrade” em seu currículo, que já ostenta trabalhos com Web3, tokenização e criação de conteúdo digital. Paralelamente, pesquisa sobre real digital e estuda Licenciatura em Português-Espanhol na UFPel, além de parte da sua renda vir do trabalho com criptomoedas. Se mexe. “Sempre gostei de programação mas nunca estudei a fundo. Vi essa oportunidade, me empenhei, vim às aulas e sou muito grato pelo que o Senac pôde fazer pela gente. Valeu muito a pena e eu não sei nem como agradecer pela oportunidade, ainda por cima de graça.”

Renan Gomes Lemos, 26 anos, formado na rurma do projeto Ilê Tech. (Foto: Ítalo Santos)