Rio Grande sofre impactos com a cheia da Lagoa dos Patos

A cheia da Lagoa dos Patos no município alcançou seu maior nível em 16 de maio, quando registrou 2,77 metros, atingindo 87 cm acima do nível do cais. (Foto: Guga Volks)

Desde a última semana, Rio Grande vive momentos de apre­ensão com os desdobramentos locais das cheias dos rios e canais do Rio Grande do Sul. A marca histórica registrada pelo Lago Guaíba acendeu o alerta na Me­tade Sul, já que a Lagoa dos Pa­tos recebe todo esse excesso de água e leva até o Oceano Atlân­tico, diretamente nos Molhes da Barra.

No dia 6 de maio, o município começou a sentir esses efeitos que perduram até agora. Na atu­alização desta sexta-feira (24), an­tes do fechamento desta matéria, a Prefeitura informou que 614 pessoas se encontram em abri­gos públicos na cidade. A cheia da Lagoa alcançou seu maior ní­vel em 16 de maio, quando regis­trou 2,77 metros, atingindo 87 cm acima do nível do cais.

Na atualização desta sexta-feira (24), antes do fechamento desta matéria, a Prefeitura informou que 614 pessoas se encontram em abrigos públicos na cidade. (Foto: Juliana Pontes)

Região das Ilhas Severamente Atingida

A região das ilhas, que in­clui a Ilha dos Marinheiros, Ilha do Leonídeo, Ilha da Torotama e a Vila da Quinta, foi uma das mais afetadas. Com estradas obstruídas desde o início do mês, o acesso só é possível por helicóptero e barcos. A Ilha dos Marinheiros, onde cerca de 350 famílias optaram por permane­cer em suas residências, enfren­ta devastação significativa com muitas casas e ruas inundadas.

A Marinha do Brasil tem re­alizado missões humanitárias para apoiar as famílias isoladas. Em 15 de maio, helicópteros da força entregaram meia tonela­da de alimentos e água potável à Ilha dos Marinheiros. “Trouxe­mos mais de cinquenta cestas básicas e água, pois os morado­res, apesar de isolados, escolhe­ram permanecer em suas casas”, conta Anderson Montiel, coor­denador da Defesa Civil do Rio Grande. Em 19 de maio, a Mari­nha forneceu mais 200 litros de água e 20 cestas básicas à co­munidade Bandeirinhas, na Ilha dos Marinheiros, além de apoio médico e medicamentos.

Na quarta-feira (22), na mes­ma localidade, a estrutura da ponte sobre a Lagoa dos Patos, que conecta o continente à Ilha dos Marinheiros, foi compro­metida, apresentando fissuras e risco de colapso.

Impactos nos bairros

Além das ilhas, outras áreas do município enfrentam dificul­dades. No centro da cidade, o Corpo de Bombeiros realizou operações de resgate junto às demais forças de segurança na rua Dr. Nascimento, onde mo­radores tiveram que ser eva­cuados. A ação surpreendeu os moradores locais, que rela­taram que a água nunca havia chegado naquela região.

No bairro São Miguel, resi­dentes como Débora Furtado foram forçados a deixar suas casas devido à água que subiu até o joelho, trazendo roedores e animais peçonhentos. “A água entrou na minha casa até o jo­elho, precisei sair e levar o que deu pela minha segurança. Só deu tempo de tirar o essencial, o resto ficou”, relatou a mora­dora, que completou: “Depois que a água subiu, apareceu na minha casa cobras e ratos. Não tem como ficarmos em casa nessa situação”.

Além das ilhas, a área central do município enfrenta alagamento. (Foto: Juliana Pontes)

Abrigos e Assistência

Diversos abrigos foram or­ganizados para acolher os desa­lojados. O antigo supermercado BIG agora serve como o maior abrigo da cidade, hospedando idosos, crianças e animais, sob a organização da Cruz Vermelha do Rio Grande. “Nós estamos organizados em setores. Con­tamos com o setor da recep­ção, do acolhimento, setor da alimentação, dispensa de man­timentos, depósito de roupas e, também, o setor do acolhimen­to provisório dos animais”, afir­mou Júlio Cesar Pereira da Silva, coordenador do abrigo.

A cidade também conta com outros abrigos específicos, incluindo um local exclusivo para mulheres e crianças, outro para gatos e um para pessoas com deficiência.

O prédio onde ficava locali­zada a antiga Fábrica de Cordas, atualmente abriga 56 famílias atípicas e pessoas com defici­ência, com apoio de profissio­nais da saúde e assistentes so­ciais. “Buscamos empresas e profissionais parceiros para que eles tivessem um olhar e a gen­te soubesse o que adaptar den­tro do espaço. Hoje, temos um espaço para crianças, para jo­vens e adolescentes, temos um espaço para as famílias, temos enfermarias. Além disso, temos espaços para acolher as pes­soas que não conseguem estar junto com os outros, às vezes por problemas sensoriais, sen­sibilidade auditiva. É uma união de esforços”, explicou a coorde­nadora do abrigo, Cibele Rocha.

A previsão da Defesa Civil é que, por consequência do acu­mulado de chuvas na região, a situação continue desafiadora, prevendo novos picos nos ní­veis da Lagoa para a próxima semana.

Por Juliana Pontes

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