Iniciativa ProArbo analisa mais de 7 mil árvores em Rio Grande

O ProArbo é uma iniciativa que está oportunizando a criação de uma base de dados sobre a diversidade de espécies de árvores dos principais centros urbanos da cidade. (Foto: Divulgação/PMRG)

A equipe responsável pela execução do ProArbo, programa da Secretaria de Meio Ambiente que está estudando e elaborando um diagnóstico da arborização de Rio Grande, realizou, na terça-feira (28), uma apresentação sobre o tema ao Conselho Municipal de Meio Ambiente (COMDEMA) para dar ciência aos membros sobre o andamento da proposta, assim como a respeito da situação encontrada no município. Conforme o exposto no encontro, mais de 7 mil árvores já foram analisadas e mapeadas.

O ProArbo é uma iniciativa que está oportunizando a criação de uma base de dados representativa e georreferenciada sobre a diversidade de espécies de árvores dos principais centros urbanos da cidade. Esse trabalho está sendo executado por professores, técnicos e alunos da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), com quem a Prefeitura do Rio Grande firmou convênio para a execução do projeto. Assim, o professor Prof. Dr. Paulo Roberto Grolli, da Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel e coordenador das atividades na UFPEL, esteve em Rio Grande, acompanhado de sua equipe, para apresentar aos conselheiros as informações coletadas até o momento.

“Em uma cidade que não tem planejamento ou que tem uma arborização mal planejada, vamos encontrar vários problemas que vão se refletir não só ambientalmente, mas também econômica e socialmente na gestão da cidade. Então estamos realizando o diagnóstico da vegetação nas áreas urbanas públicas de Rio Grande, com avaliação dos aspectos morfológicos, espécies e identificação de conflitos. É um projeto ambicioso, pois não é por amostragem e sim um censo, cada indivíduo está sendo analisado”, comenta o professor.

Um pouco sobre os dados já processados

Conforme as informações coletadas até a última sexta-feira (23), mais de 7.200 árvores já foram verificadas e georreferenciados, ou seja, tem sua posição geográfica indicada no aplicativo usado para o ProArbo. Destas, a respeito de sua altura, 41% são consideradas de grande porte (10m ou mais) 35% são pequenas (menos de 5m) e 24% são definidas como médias (entre 5m e 10m), índices que são bastante semelhantes aos que foram verificados sobre o diâmetro da copa.

Comprovando uma tendência já esperada sobre a arborização, 62% das árvores já computadas são exóticas, sendo apenas 32% nativas da região, o que reflete diretamente na quantidade de problemas verificados. Apesar disso, quanto à situação fitossanitária, 66% são considerados exemplares em estado bom ou saudável e apenas 9% se encontram em situação péssima.

De acordo com o trabalho realizado a campo, 49% da arborização tem problemas que podem ser verificados visualmente, como pragas. Outros 28% possuem parasitas e 23% doenças fúngicas. Já sobre a estabilidade da árvore, 90% estão em equilíbrio e o restante demonstram uma posição de desequilíbrio, o que pode contribuir para a queda em situações de ventos fortes, por exemplo.

Além disso, 96% da arborização apresenta afloramento das raízes, ou seja, raízes expostas, o que é justificado pelo solo pouco profundo da cidade. Destas, 64% acabam afetando de alguma forma a mobilidade urbana. Sobre o tema, também chama a atenção que cerca de 80% das árvores estão em alguma situação de conflito com elementos de urbanização, como redes de energia, iluminação pública, mobilidade, entre outros.

Avenida Rio Grande

A arborização da Avenida no Cassino também já foi analisada, tendo seus dados computados separadamente. Na região, a proporção de indivíduos exóticos é ainda maior, chegando a 91% dos 661 verificados. Também são 93% adultos, evidenciando uma arborização mais antiga.

Sobre as espécies, a maioria das árvores são Eucaliptos (57%), junto com Plátanos (11%) e Pinus (6%). A respeito do tamanho, 75% tem porte grande, índice que é o mesmo quanto a conflitos com a urbanização, especialmente com a rede elétrica.
Já quanto à condição de saúde dos indivíduos, apenas 36% se encontra em situação saudável, número abaixo da média do restante estudado até aqui. Também por isso 70% do total precisa de alguma intervenção.

Avaliações

Segundo destacou o professor Grolli, os dados já processados representam uma boa amostragem da arborização de Rio Grande, permitindo já ter uma boa noção do contexto. “Essa é a ideia do projeto, ter dados para tomar as melhores decisões sobre o que vai ser feito para melhorar a arborização e o ambiente da cidade”, diz.

Para o secretário de Meio Ambiente, Pedro Fruet, a apresentação foi muito bem recebida por parte do COMDEMA, mostrando dados interessantes e alguns problemas enfrentados, também indicando soluções para a arborização urbana. Além disso, ele ressalta que a atividade faz parte de um ciclo de apresentações dos projetos conveniados à secretaria, que passarão a fazer parte das reuniões do conselho.

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