Primeiro ensaio internacional de vacina espanhola contra covid-19 será testado na Argentina

Foto: Pixabay

A vacina espanhola Ruti, inicialmente desenvolvida contra a tuberculose, é a primeira da Espanha a receber autorização para realizar um ensaio clínico internacional, que será feito na Argentina. Os testes têm o objetivo de mostrar sua eficácia contra outras infecções virais – incluindo a produzida pelo SARS-Cov-2.

Aprovada pela Administração Nacional de Medicamentos, Alimentos e Tecnologia Médica (ANMAT) da Argentina, desde o final de outubro, a Ruti Immune, empresa ligada à Archivel Farma, administrará doses em cerca de 370 participantes que, por enquanto, abrange apenas profissionais da área de saúde. Os testes serão realizados em dez hospitais da Argentina, entre eles o Hospital Central (Mendoza).

A RUTI estava em período de estudo, em fase 2 avançada, e sob investigação há 10 anos. O estudo duplo-cego com placebo, com duração de nove meses para a conclusão dos resultados, deverá avaliar a eficácia da vacina tanto na prevenção quanto na redução da mortalidade por Covid-19.

O medicamento foi desenvolvido pelo médico e pesquisador especialista em tuberculose, Dr. Pere-Joan Cardona, do Hospital Germans Trias i Pujol, de Barcelona, e fabricado pela farmacêutica Archivel Farma, também da Espanha.

Resposta imune inata
A vacina Ruti é baseada na imunidade inata treinada, ou seja, capacita o organismo a estimular a imunidade para gerar uma “memória” que produz uma resposta mais rápida e eficaz à exposição ao vírus.

Se os resultados forem positivos, a droga pode se tornar a base para uma classe de vacinas antivirais de amplo espectro, que também podem servir como um primeiro recurso no caso de novas infecções.

“O conceito de imunidade nata treinada surge como alternativa interessante e inovadora a ser explorada como estratégia de prevenção, inicialmente em profissionais de saúde”, disse o médico especialista em Farmacologia Clínica e Infectologia, Waldo Belloso, responsável pelo ensaio clínico na Argentina.

Nesse caso, a vacina RUTI faz parte de um grupo de vacinas que pretendem colaborar no combate à Covid-19, tornando-se uma alternativa ou complemento às vacinas específicas para o coronavírus que estão sendo desenvolvidas atualmente.

Coronavírus e a corrida para encontrar uma vacina

Desde que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o surto do novo coronavírus uma pandemia, os projetos de vacinas se multiplicaram em todo o planeta. De acordo com referências do organismo internacional, 214 vacinas estão sendo desenvolvidas atualmente contra Covid-19. Destas, 52 chegaram ao estágio clínico, com testes em humanos, sendo que 13 estão na fase 3, anterior à comercialização.

As infecções pelo coronavírus relatadas em todo o mundo ultrapassam 71,8 milhões, enquanto as mortes já ultrapassam 1,6 milhão, de acordo com os dados mais recentes compilados pela Universidade Johns Hopkins.

Medidas como higiene, uso de máscaras ou distanciamento físico continuarão sendo muito eficazes e podem desacelerar o índice de infecções a níveis de relativa segurança, mas o retorno ao modo de vida anterior à pandemia dependerá da descoberta de soluções terapêuticas eficazes. Entre estas, a vacina é, de longe, a mais importante.

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