Por que temos índices tão preocupantes de câncer de pele no RS?

O total de internações em decorrência da doença também caiu 22%, segundo informações do SUS. (Foto: QZ7Filmes)

O câncer da pele é considerado o mais prevalente na população brasileira, tanto entre os homens quanto entre as mulheres. Dados oficiais estimam que no ano de 2020 foram diagnosticados 190 mil pacientes com tal doença, com aproximadamente 4.500 mortes neste mesmo período. Os mais frequentes são os carcinomas de pele, menos agressivos. Por outro lado, o melanoma, com menos casos, pode ser grave, sendo responsável pela maior parte das mortes pela doença.

Na região Sul do Brasil, o percentual de casos desta patologia está entre os mais altos do nosso país, com índices equivalentes aos da Austrália, país líder nestas estatísticas. Boa parte desta incidência de casos tem relação com tipos mais claros de pele comparado aos estados de outras regiões do país, nosso hábito de exposição solar intensa no verão e a baixa adesão ao uso de protetores solares, entre outros fatores.

Tradicionalmente, desde 1999, o mês de dezembro vem sendo utilizado para divulgação do Dezembro Laranja. Naquele ano, a Sociedade Brasileira de Dermatologia lançou, em todo o Brasil, uma campanha de orientação e conscientização da população brasileira em relação a prevenção e detecção do câncer da pele. Tal iniciativa alcançou tamanho volume que, em 2009, o Guiness World of Records a certificou como o maior mutirão de atendimento médico em um único dia, atingindo diretamente 34 mil pessoas.

A pandemia da COVID-19, infelizmente, tornou restrita a avaliação presencial dos pacientes no ano passado, atitude que será repetida neste ano para evitar a aglomeração de pessoas que buscam este atendimento gratuito. Desta forma, foi definido que neste ano de 2021 o objetivo principal da Campanha será ressaltar a importância da proteção solar e a educação de nossa população, reforçando os cuidados com o autoexame da pele e uso de proteção física (roupas, chapéus, bonés, guarda sol), além da correta aplicação do protetor solar. Cabe reforçar que o dermatologista busca incansavelmente realizar o diagnóstico precoce oferecendo, deste modo, uma maior possibilidade de cura.

Estimamos que, com uma orientação mais intensa e um cuidado maior das nossas crianças e jovens, consigamos futuramente reduzir os índices tão altos desta doença e, principalmente, reduzir o número de mortes.

 

Fabiano Siviero Pacheco
Dermatologista membro da SBD-RS e coordenador do Dezembro Laranja no Rio Grande do Sul

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