Covid-19 e saúde mental

Michele Nunes Guerin, psicóloga clínica e especialista em Psicologia Clínica Humanista/ACP

A pandemia do Covid-19 colocou todo o mundo em uma situação crítica. A necessidade de cuidados, higienização de tudo que tem contato com o exterior de nossas residências, o número de vítimas crescente e todas as consequências nos sistemas de saúde e social nos colocam em constante alerta e insegurança. A preservação do nosso corpo e saúde física são fundamentais para a preservação da vida com qualidade. Em meio a todas as informações, orientações e sugestões de como preservá-los, a questão é: Como anda sua saúde mental?

O alto nível de estresse, por longo período de tempo, provoca sintomas psíquicos, cognitivos e físicos. Para que possamos estar em segurança quanto ao vírus e também saudáveis nos diversos aspectos de nossa vida, alguns alertas e indicações se fazem necessários, ainda mais neste período de verão e férias, que estimulam o desejo por passeios e diversão. Justamente neste mês temos a campanha Janeiro Branco, que alerta para a necessidade de cuidados e tratamentos da saúde mental, o que é fundamental o ano todo, no entanto, a campanha proporciona um destaque maior a esta necessidade.

Primeiramente, lembre-se dos protocolos básicos de segurança, como o uso de máscaras de proteção, álcool 70%, higienização de embalagens e tudo que seja de uso comum, proteção solar, hidratação e alimentação saudável. Mas aí você me pergunta, o que isso tem a ver com minha saúde mental? A resposta é que nós, seres humanos, somos um todo, somos seres holísticos e, portanto, mente e corpo se influenciam constantemente.

Atualmente, não temos restrições mais severas quanto à permanência em locais públicos, como praias, arroios, praças e bares, porém, pense em como você prefere utilizar estes locais. Observe horários e pontos que não tenham aglomeração e um fluxo grande de pessoas circulando. Considere fazer caminhadas, exercícios ao ar livre, momentos de relaxamento e diversão com seu grupo de convívio – pessoas que moram na mesma residência, por exemplo -, pois assim, estará equipado e protegido contra a contaminação sem deixar o lazer, a diversão e o entretenimento de fora de sua vida.

Outras sugestões são buscar contato via telefone/internet com suas pessoas queridas, favorecer hábitos como leitura, escrita, desenhos, pinturas e qualquer outro que estimule sua criatividade e possa ser terapêutico devido ao fato de contribuir para sua auto percepção. Cuidar de plantas, fazer cursos ou aprender uma nova habilidade faz com que sejamos ativos mesmo sem efetivamente sair de casa.

O principal de tudo é estarmos atentos aos nossos sentimentos, pensamentos e comportamentos, bem como aos das pessoas ao nosso redor, evitando conflitos e insatisfações em virtude de um maior convívio e até mesmo de uma rotina pouco estimulante. Insira no cotidiano pequenas mudanças e hábitos novos, buscando outros quando estes não fizerem mais seu papel terapêutico. Se mesmo assim observar sintomas como emotividade, irritabilidade ou desânimo exagerados e persistentes, entre outros possíveis sintomas, busque serviços de saúde para uma avaliação e caso necessário, tratamento, pois precisamos cuidar do corpo sem descuidar da mente.

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