Um vigário muito além da campanha

(Para Pe. Reinaldo Wiest)

Um vigário não se delimita apenas às paredes de uma igreja. As suas palavras, vão muito além dos ouvidos atenciosos e atentos que as “janelas” deste próprio templo pode ouvir. A sua influência, o seu legado vai muito adiante da sua paróquia ou ao seu círculo de contato geográfico, um vigário vai muito mais além…

É natural, que com sua eloquência e sabedoria em suas ações, inteligência, ou outras qualidades não previamente enunciadas, um sacerdote se destaque. E até é natural que assim o seja, dado suas ações empenhadas na comunidade que o mesmo trabalha.

Nas principais festas ou acontecimentos litúrgicos ou não de uma vida em comunidade, seja no campo, vila ou cidade propriamente dita, está a figura do padre, sacerdote, ou outra denominação de autoridade religiosa interferindo nestas ações. Assim foi no passado, e assim o é no presente.

Se em cada festividade, seja ela casamento, batizado, missa de ação de graças e até mesmo velório, onde os familiares estão unidos e profundamente alterados, ou influenciados pelo estado emocional do ato em si, se depara com um padre ou sacerdote, de ordem religiosa, aí está o enlace afetivo e emocional, que as pessoas criam entre si, e assim vão fortalecendo os vínculos sentimentais, quando estes indivíduos, encontram conforto e amparo, ou identificação nas palavras deste padre. Isso se dá de duas formas, seja ela na forma da dor ou do amor, as duas faces do sentimento, em que os indivíduos ou se apegam ou se renegam, se desprezam, evitam tal pessoa, ou tal acontecimento, ou qualquer outra lembrança ou ação, em que o acontece na vida cotidiana das pessoas.

Em linhas gerais e de uma forma muito rasa, sem maiores aprofundamentos sobre esta questão ou gatilho psicológico de afetividade que ocorre entre os humanos, sem grandes aprofundamentos científicos, até porque me falta tal capacidade e conhecimentos específicos sobre esta relação dentro da psicologia e da ciência cognitiva, ciente das minhas lacunas, e limitações dentro deste assunto e campo de conhecimento, limito-me ainda que de uma forma abusada, e curiosamente pretensiosa a explanar sobre uma relação específica que muito me chama a atenção, vindo também a despertar em mim um sentimento digamos que “devocional” ou de profunda admiração a um padre, melhor, a um vigário que foi muito, mas muito além da campanha! Um homem de carne e osso, passível de pecados e erros, de imperfeições que habitou estes campos do Sul!

O que leva as pessoas a gostarem de uma determinada liderança? De alguém que toma para si, uma missão, um trabalho e excuta sem grandes posses, sem grades investimentos, e principalmente sem grandes ambições? E ainda mais se ele surge de seu anonimato e supera as décadas, os anos, e o próprio tempo para atingir aqueles que tomaram conhecimento de sua história, de sua biografia e seu trabalho de vida.

Particularmente, ele não tinha este desejo, aliás sabia o quanto era limitado o seu trabalho, o quanto de dificuldade teria que vencer, para fazer o seu necessário. Diferentemente de outras iniciativas, ou ações, ao contrário de outros empreendimentos, projeto ou serviço qualquer, onde se tem uma estrutura ou um contexto que vem ao seu auxílio, a tarefa requer menos sofrimento, mas no caso da vida e obra do “santo padre” Reinaldo Wiest, as dificuldades, os empecilhos, as barreiras a serem vencidas eram enormes. Então para ele executar seu ofício, o de ser apenas padre, e liderar espiritualmente e intelectualmente determinada congregação não era muito complexo, a rigor o caminho deveria ser mais linear e tranquilo em seus passos para afinal ele cumprir sua missão e cair no esquecimento comum do cotidiano coletivo. Mas, entretanto…

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