Um causo brabo…

Parente véio, daqueles tipo parafuso de patrola, se trancou dos intestinos e não havia nada que descesse, nem chá de umbu. Assustado, se foi no hospital consultar com o médico, famoso na “Capital Farroupilha”. Meio desajeitado, já foi uma luta pra abaixar a bombacha e ainda mais mostrar a bunda. Aperta daqui, aperta dali e ele já numa desconfiança só. E quando o doutor tocou no fiofó puxou a bombacha, mas relutando muito deixou.
O doutor, velho conhecido, receitou uns “supositórios” e preveniu: – pede pra tua esposa colocar. Se foi para casa e falou: – O doutor mandou tu colocar uma coisa dessas no meu ânus. Ele não sabia o que era ânus e a tia veia muito menos. Se foi ao hospital já brabo, indagou ao doutor: – Afinal, o que é isso? O doutor atarefado respondeu num ligeirão: – Mete na bunda. Aí ele loqueou da cabeça, deu de mão no facão e berrou: – Me respeita. Foi um entrevero só, visto na velha capital.

O tropeiro e o tempo

SEO VALDOMIRO BUENACHO,
ESTAMPA CHEIA DE HISTÓRIAS!
EU LE OFEREÇO ESTES VERSOS
QUE JUNTEI NESTA MEMÓRIA.

Na rua marcada a cascos
do Piratini campeiro,
aquele velho entonado
levava ao coco um sombreiro,
sempre envergando a bombacha
e o jeito guapo e faceiro!

Contando os causos de antanho,
aos calendários de guerra,
ressuscitava o Latorre
a degolar numa encerra
os Pica-Paus – no Rio Negro –
goteando rubros na terra!

Cada palavra do causo
era um casulo encantado
a descobrir velhos traços
de um Rio Grande abarbarado
– mas onde um fio de bigode
tinha o valor de um tratado!

Entropilhava as lembranças
em seus álbuns preto e branco
– bombeando o Tempo a cavalo,
em acelerado tranco…
Deixando, atrás, as legendas,
em um rosilho lunanco.

Valdomiro rasgou rumos
por esses rincões a fora,
tropeiro de olhos acesos
testemunhado as auroras!
Conhecedor de araçás,
de guabijus e de amoras…

Mesmo com campo de seu,
dava os ares de índio-vago.
Madrugava seus recuerdos,
sempre apojando um amargo…
– Por onde andará seu rastro,
nas entrelinhas do pago?…

Juarez Machado de Farias

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