Por onde andam a moral e a ética?

Manoel Jesus, educador. (Foto: Divulgação)

A Operação Penalidade Máxima, desenvolvida pelo Ministério Público de Goiás e a Confederação Brasileira de Futebol, mais recentemente, com o apoio da Polícia Federal, investiga a manipulação de resultados e o esquema de apostas no futebol brasileiro. Ganhou destaque nacional pois já resultou em prisões preventivas, com jogadores, dirigentes e pessoas que atuam neste esporte investigados e denunciados. Infelizmente, não vai acontecer, mas poderia ser uma boa oportunidade para se discutir moral e ética.

Esta não pode ser apenas uma discussão acadêmica. Mas elementos que estão na vida de um cidadão cada vez mais decepcionado com as suas representações sociais. E o futebol é uma delas. Para discutir, precisamos de definições, já que, se pode dizer, “a moral é o conjunto de normas que orienta a maneira de agir das pessoas dentro de um contexto específico”. Por conta disso, estamos falando de um conceito de caráter particular e que se baseia, sobretudo, em hábitos e costumes (poderíamos estar falando em cultura?).

E a ética? Bem, ela funciona como a racionalização da moral. Educadores batem seguidamente na tecla de que, para haver uma moral e uma prática da ética que se adeque ao nosso tempo é preciso ter referências. Vale a pena repetir que os valores de cada pessoa nascem do grupo familiar e social onde são criadas: família, vizinhança, escola… Um terceiro elemento fez parte do processo de educação: as religiões, em especial as cristãs, que ficavam num espaço intermediário entre a família e a escola.

Eram referências na formação e serviam de elemento agregador. Religiosos estiveram no patamar de confiança dos militares, por exemplo. Pesquisas realizadas até a década de 80 davam conta de que as igrejas e o Exército eram apontados pela população como merecedores de confiança. De lá pra cá, despencaram. A Igreja Católica enfrenta concorrência, em especial das igrejas neopentecostais, e se vê envolvida em diversos escândalos, assim como empobreceu a preparação pastoral e intelectual de seus quadros.

Infelizmente, o que estava ruim tende a ficar pior. O brasileiro tem sido decepcionado por aqueles nos quais deposita confiança (e os políticos sabem que eles foram os primeiros).

Como se não bastassem os problemas educacionais e religiosos, explode o escândalo no futebol, que já não estava bem das pernas, em que o torcedor se vê motivado para vestir a camiseta quando deveria saber que é usado para marketing e promoção de produtos, recebendo menos do que paga, de forma direta ou indireta.

Pena que se precise falar em desportistas que deveriam ser exemplos da ética. A moral não é decorar “leis”. Na prática, a gente se espelha em quem está próximo, se introjeta valores e referências que, aprendidos no tempo certo, balizam comportamentos. A ética precisa estar refletida em nossas ações, com normas que estimulam o bom convívio e o respeito pelo outro, sendo honestos, íntegros e justos. Pode ser difícil, mas é preciso que se persista até mesmo quando parece que ninguém mais está dando o bom exemplo…

Confira a versão em vídeo no Youtube: https://youtu.be/REMPE-J5atw.

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