Para que não se repita um “11 de setembro”

Manoel Jesus, educador

Preparava aulas durante a manhã e não havia ligado a televisão ou o rádio. Quando desci para a casa de meus pais, a fim de almoçar, estavam perplexos diante do aparelho e as imagens eram aterradoras: as torres gêmeas atingidas e a velocidade das informações deixava jornalistas buscando analisar e explicar a situação. Em seguida, ficou-se sabendo que, além dos edifícios do World Trade Center, mais dois aviões-suicidas estiveram no ar: um em direção ao Pentágono e o outro em que os passageiros lutaram com os terroristas e lançaram o aparelho em campo aberto.

Depois, foi uma enxurrada de notícias, com analistas tentando entender como uma guerra que os Estados Unidos sempre deixaram fora das suas fronteiras atingiu o coração simbólico de seu país. Passados 20 anos, numa data tão significativa, a nação do presidente Joe Biden reconhece que falhou em acabar com o Talibã e as demais redes que afrontaram a potência americana. Quase três mil vidas foram sacrificadas, demonstrando que os poderosos não são tão poderosos como pensam e seus desafetos não são melhores porque também desprezam a vida das populações civis.

O colunista David Coimbra publicou texto em jornal da capital falando do 11 de setembro, com o título “o que é importante falar na hora da morte”, a respeito dos passageiros que frustraram um dos quatro ataques e sabiam que iam morrer: “As pessoas ligaram para dizer a outras pessoas que as amavam. Ou seja, quando tudo ia terminar, as pessoas entenderam instintivamente o que é mais importante: o amor.” “Ninguém falou de dinheiro, de poder ou de trabalho. Ninguém ligou para fazer um insulto final, para dar um conselho ou para deixar uma mensagem para a posteridade”.

As torres gêmeas são, também, alerta para todos os desastres que as guerras, invasões, guerrilhas causaram em cada canto do planeta. Mais importante é a lição que praticamente ficou esquecida daqueles mártires que sacrificaram as suas vidas sem saber no que resultaria. Mas que tinham claro que precisavam proteger aquelas pessoas que lhes eram especiais e, havendo chance, dizer, talvez pela primeira vez, o quanto as amavam. O cenário político internacional tem sido muito pobre de respeito pelas pessoas e de acolhida nas suas carências, que é uma das expressões do amor.

Todos os grandes líderes espirituais, entre eles Jesus Cristo, Mahatma Gandhi, Martin Luther King, nunca pegaram em armas para defender suas pregações, mas incentivaram a que as pessoas aprendessem a amar. Difícil de ser definido, mas tão necessário de ser sentido e vivenciado. Com elementos práticos, como o distensionamento que permite o diálogo, a tolerância, a busca pela compreensão do ponto de vista alheio e o respeito pelo simples fato de ser uma outra pessoa. Um sentimento que inicia nas relações pessoais, já que todos eles pediam uma cultura da paz e do amor.

Que inicia pelo desarmamento dos espíritos. Precisamos de familiares, amigos e daqueles com quem nos identificamos, não somente por postura política, ideológica ou religiosa. Encerra: “Talvez muitas delas só tivessem compreendido isso porque sabiam que estava na hora da morte. Mas, pelo menos, tiveram chance de falar. Certamente um consolo para quem ouviu. E uma lição para quem está vivo”. Parece pouco, mas, hoje, a pergunta é: há quanto tempo não digo para alguém um simples “eu te amo!”? Um pequeno detalhe, que pode fazer uma grande diferença!

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