Os rostos do “novo normal”

Manoel Jesus, educador. (Foto: Divulgação)

Quando os desastres climáticos ficaram mais frequentes, especialistas passaram a falar em um “novo normal” para um meio ambiente em transformação, tristemente, para pior. Apesar dos negacionistas, não há como contestar que, sem completar um ano, os gaúchos passaram por cinco grandes enchentes, tomando como referência a grande Porto Alegre, os Vales que alimentam o Guaíba, Lagoa dos Patos e chegam ao mar. Infelizmente, curar as feridas do planeta é tarefa para médio e longo prazo.

O certo é que, havendo eleições em outubro ou elas sendo postergadas, é necessário separar o joio do trigo no que se refere à atuação da Prefeitura e do Legislativo. Descontando-se oportunistas de plantão, os municípios precisam de nova consciência, que resulte em legislações adequadas, onde se inicie por educação, com o conhecimento topográfico das áreas rurais e urbanas, passando por planejamento estratégico de evacuação de áreas de risco, assim como maior rigor nos licenciamentos ambientais.

A grande lição está, exatamente, em saber que esta deixou para trás a enchente de 1941 (não pensando numa disputa, como fizeram alguns meios de comunicação), havendo uma troca de patamar, pois se tem bem mais gente concentrada no meio urbano do que no rural. E se presenciou o descaso na prevenção e conservação de estruturas existentes e investi­mentos, encontrando autoridades aturdidas, correndo atrás do prejuízo. Eleitos e bem pagos, é tarefa do governo providenciar soluções em tempo de crise.

Lamentavelmente, temos dirigentes mal preparados e uma população mal-educada. O “novo normal” começa dentro de casa, no ambiente familiar e social mais próximo, com a con­servação de esgotos e tratamento do lixo. Que não termina ao se depositarem os sacos com detritos na rua, pois é comum se ver material mal acondicionado que facilmente se rompe e tem potencial de entupir bueiros. Mas nada disto será sufi­ciente sem ter a efetiva participação da sociedade, cobrando e fazendo a sua parte.

Por detrás das estatísticas estão os rostos do “novo normal”, com histórias daqueles que foram morar em zonas de risco. A odisseia das desgraças que se repetem. A sociedade, novamente, supre carências da administração pública. Mas não é suficiente. São muitas lições a serem aprendidas, muitas perdas de vidas lamentadas, muitas perspectivas de futuro tolhidas. A vida continua restando um fio de esperança de que a “brasilidade” seja o sentimento que não permite que nossa gente desista… inclusive dos políticos!

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