“Os fins justificam os meios”

Sérgio Corrêa, jornalista e radialista.

“OS FINS JUSTIFICAM OS MEIOS” – NICOLAU MAQUIAVEL

Nicolau Maquiavel foi um pensador florentino que viveu no período renascentista e escreveu o livro intitulado O Príncipe, dedicado a Lourenço de Médici.
A campanha eleitoral para a presidência da república em 2022 torna tão atual a obra de Maquiavel, sobretudo quando ele cita a célebre frase “os fins justificam os meios”.
Para Maquiavel, são características relevantes de um bom príncipe, ser bondoso, caridoso, religioso e ter moral. Contudo, O Príncipe, hoje representado pela figura do Político, deve travestir-se de mau, de impiedoso e até de imoral e sem caráter, promovendo pactos, e se valendo de qualquer conduta para conquistar ou manter-se no poder.

“OS FINS JUSTIFICAM OS MEIOS” II

Esta analogia entre a campanha para a presidência da república em 2022 e o livro de Maquiavel, escrito em 1513 e publicado em 1532, demonstra o quanto o povo foi e ainda é manipulado, antes pelos monarcas e hoje pelos políticos, com um único objetivo, a conquista do poder a qualquer custo.

A escolha de Geraldo Alckmin do PSB como vice de Lula na chapa com o PT, não caiu bem nem para os petistas e foi um prato cheio para o adversário Jair Bolsonaro e seus apoiadores, tanto que, um dos vídeos que mais circula nas redes sociais e na propaganda eleitoral na TV é Alckmin dizendo que Lula quer voltar à cena do crime.

Bolsonaro por sua vez, no último domingo, dia 16 de outubro, no debate da Rede Bandeirantes de Televisão, aparece ao lado de Sérgio Moro.

Sérgio Moro, ex-juiz, ex-ministro da Justiça, de aliado a inimigo, filmou uma reunião presidencial com todos os ministros, levantou suspeitas de interferência de Bolsonaro nas investigações da Polícia Federal e mostrou o ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles dizendo que tinha que aproveitar e passar a boiada, isto é, aprovar leis em desfavor ao meio ambiente. Assim, Sérgio Moro se tornou inimigo número 1 de Bolsonaro e dos apoiadores do presidente.

“OS FINS JUSTIFICAM OS MEIOS” III

Usando como referência a atual campanha eleitoral para a presidência da república, vemos que Bolsonaro chama Lula de Presidiário, Lula chama Bolsonaro de Mentiroso, e assim os dois vão relativizando estas formas de tratamento e xingamentos que permeiam a campanha.

As uniões de Lula e Alckmin, Bolsonaro e Sérgio Moro demonstram com muita clareza que “os fins justificam os meios”, e que no Brasil a figura do político transcende ao partido ou até mesmo uma determinada ideologia, isso justifica uniões absurdas em momentos de extrema necessidade na luta pela conquista do poder.

Há que se entender os níveis em que se estabeleceram os conflitos e posteriormente as uniões. Alckmin nunca foi aliado, sempre foi adversário de Lula, portanto xingamentos, como os que acontecem hoje entre Bolsonaro e Lula, faziam parte do confronto político entre Alckmin e Lula naquela época.

Já Sérgio Moro era um aliado de Bolsonaro, e tudo que foi feito e dito por Moro foi verdade ou mentira? Na visão de Bolsonaro e aliados, Moro era um traidor um mentiroso.
Restam alguns olhares sobre a atual política e uma dúvida!

O primeiro olhar leva a crer que Geraldo Alckmin, apelidado de picolé de chuchu, pois não tem sabor algum, é um político supostamente em fim de carreira que, aceitou aliar-se a um adversário político, somando esforços para a manutenção da democracia, assim como para acender a vice-presidência, pois a presidência é um lugar almejado por Alckmin há muito tempo.

Um segundo olhar é a evidência de que o povo brasileiro necessita de ídolos e, essa idolatria faz com que transformemos, juízes, atores, jogadores de futebol, palhaços ou quaisquer outros famosos em políticos.

A única dúvida neste momento é, quem realmente é Sérgio Moro?

Confesso que fico a me questionar, numa eleição polarizada entre Lula e Bolsonaro ou Bolsonaro e Lula, como queiram, quem votou em Sérgio Moro para o Senado? Petistas odeiam Moro e bolsonaristas o tinham como inimigo número 1.

Um juiz que não sabe o que é incompetência de foro, pois se soubesse que os processos contra Lula deveriam tramitar em Brasília, nenhum processo teria sido anulado.
Moro, ao agarrar-se aos processos, ganhou visibilidade conferida pela mídia que o transformou em uma espécie de Paladino da Justiça, afinal era lava-jato dia e noite na televisão, no rádio, nos jornais e nas redes sociais.

Por fim, o povo do Paraná atirou uma boia em alto mar, para que Sérgio Moro pudesse se agarrar e não naufragar em suas contradições, incoerências e falta de verdade.

Bolsonaro nunca mudou, sempre teve o mesmo comportamento. Lula também não mudou.
Quem acreditou que era o Paladino da Justiça, primeiro contra Lula e depois contra o próprio Bolsonaro, que lhe deu um ministério foi Sérgio Moro?

Acabou evidente sua inexperiência ou suas más intenções que o levaram a andar de um lado para outro, procurando um partido para concorrer à presidência e lhe sobrou uma vaga no senado graças a este povo que adora ídolos.

Por fim, ao apoiar Bolsonaro, Sérgio Moro dá um testemunho que mentiu tudo o que falou sobre Bolsonaro ou assume que compactua com tudo que Bolsonaro fez de errado, se é que fez, mas foi dito que fez pelo próprio Sérgio Moro.

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