O sniper de Alegrete

José Henrique Pires licenciado em Estudos Sociais pelo ICH-UFPel, especialista em Políticas Públicas pela Universidade de Salamanca, Espanha, jornalista e radialista. (Foto: Divulgação)

Na capital de um jovem país republicano, em meio a uma guerra, o vice-presidente da República sofre um atentado a bala, agoniza e morre. O franco-atirador, escondido, teria atingido seu alvo a partir de uma janela. O que parece ser roteiro de mais um filme com atiradores, infelizmente aconteceu no Rio Grande do Sul, de maneira tristemente pioneira, 22 anos antes do atentado que vitimou Abraham Lincoln nos Estados Unidos.

Naqueles dias de 1843, o RS era um país, a independência havia sido proclamada em 11 de setembro de 1836. Era uma República (Rio Grandense) com presidente, vice, ministros, militares e estava em guerra contra o Império Brasileiro, que não aceitava obviamente aquela condição política, aliás reconhecida internacionalmente pelo Reino Unido, França e Uruguai.

Alegrete, naqueles dias, era a capital da República. Pois foi lá, em 13 de fevereiro, que o vice-presidente Antônio Paulo da Fontoura – o Paulino – foi vitimado pelo atentado. Tempos de armas de carregar pela boca com o emprego de varetas, tiros de precisão eram difíceis e improváveis. Não havia perícia nem exames de balística. Não havia como aprofundar as investigações. A versão oficial, difundida pelos republicanos, tinha forte conexão com o conflito bélico iniciado em 20 de setembro de 1835. Paulino, o vice, tinha 43 anos, era solteiro, bom político e reconhecido como bom poeta. Recebeu o tiro em via pública.

A oposição tratou de espalhar outra narrativa: foi alvejado por um marido ultrajado. Ele levou um tiro em frente à casa de uma senhora casada, de onde Paulino teria saído. O inquérito não avançou, nunca acharam o pistoleiro e permanece insolúvel o primeiro atentado a um mandatário republicano nas Américas. Quem matou Paulino? Um franco-atirador pioneiro com uma arma longa de carregar pela boca? Quem seria o sniper do Alegrete?

Desastres aéreos:

O falecimento do ex-presidente do Chile, Sebastian Pinera, faz lembrar alguns outros vitimados por acidentes aéreos:

– Deputado Ruy Ramos, 1962. O avião que o levava a partir de Pelotas caiu entre Tapes e Barra do Ribeiro, vitimando o “Tordilho do Alegrete”;
– Deputado Ulisses Guimarães, 1992. No mesmo desastre, também morreu na queda do helicóptero o ex-senador Severo Gomes;
– Presidente Castelo Branco, 1967. Um avião da FAB e um avião do Exército chocam-se, vitimando o Presidente da República;
– Ministro Marcos Freire, 1982. Avião da FAB cai, vitimando o Ministro da Reforma Agrária;
– Senador Filinto Muller, 1973. Morre na França o presidente do Senado em acidente com mais de 100 vítimas;
– Ministro Teori Zavacski, 2017. Avião cai com o ex-ministro do STJ, recém nomeado Ministro do Supremo Tribunal Federal;
São vários os exemplos, como os acidentes que vitimaram os deputados Carrion Jr., Julio Redecker, José Carlos Martinez…

Que descansem em paz!

*José Henrique Medeiros Pires é Licenciado em Estudos Sociais pelo ICH UFPel, Especialista em Políticas Públicas pela Universidade de Salamanca, Espanha e jornalista e radialista

Enviar comentário

Envie um comentário!
Digite o seu nome